Opinião
Campanha antifome
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil decidiu marcar os 50 anos de serviços à Nação com o lançamento, na sexta-feira, do Mutirão Nacional da Superação da Miséria e da Fome. A iniciativa, segundo a Agência Brasil, visa mobilizar, em todo o País, as dioceses, comunidades, movimentos pastorais, para, junto com outros povos, realizar uma caminhada pela conquista do direito ao alimento e à nutrição. Por sua vez, o presidente da CNBB, dom Jaime Henrique Chemelo, explicou que, na prática, em um primeiro momento, o mutirão vai funcionar como um auxílio de comida. ?Mas a campanha precisa buscar também salário, emprego, casa, educação, saúde, pois o projeto é maior do que simplesmente matar a fome de quem tem fome?. O subdiretor-geral e representante regional para a América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Gustavo Gordilho de Anda, durante um seminário internacional realizado em abril deste ano, em São Paulo, destacou a fome como resultado da má-distribuição de renda e do baixo desenvolvimento rural. E disse que o problema deve ser combatido com políticas de integração social e não-paternalistas. A melhoria da distribuição das riquezas vem sendo defendida, de há muito, pela FAO, por outros organismos internacionais, bem como nacionais, como principal solução contra a fome em várias nações, entre as quais o Brasil. E o próprio presidente da CNBB também já disse que temos que partir para isso para chegar comida à mesa de todos os brasileiros. Os dados do Censo 2000, divulgados há poucos dias pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que estamos entre os países mais seriamente atingidos pelo empobrecimento. E não precisa ser especialista para saber que este fenômeno agravou-se, nos últimos dez anos, devido à ultra-concentração dos rendimentos, ao desemprego e à redução do poder de compra de expressiva parcela da massa trabalhadora. Temos que mudar esta realidade com as providências cada vez mais necessárias, para que a falta de meios para a obtenção de alimentos, ou os fatores a ela relacionados, não continuem matando milhões de seres humanos no mundo. A maior parte dos óbitos é provocada pela desnutrição crônica. E como indicam estatísticas recentes, três quartos das vítimas são de crianças com menos de cinco anos de idade.