Opinião
Crescimento t�mido - Editorial
O primeiro semestre se encerra com uma boa notícia. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros três meses de 2006 em relação a igual período do ano passado. De acordo com o IBGE, esse aceleramento da economia deve-se a vários fatores, dentre os quais se destaca a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central. Se a turma do BC lesse com atenção estudos como esse, bem que poderia determinar reduções menos tímidas na taxa Selic. Também foram decisivos o bom desempenho da construção civil, da indústria, o reforço nos investimentos pelo empresariado, e também em obras no setor público. O governo chega a argumentar que a alta taxa de juro não estaria impedindo a expansão da economia. E o Ministério da Fazenda até estima um crescimento de 4,5% do PIB ainda este ano. As empresas de consultoria, mesmo as mais otimistas, não vão além de 3,8%. Enquanto isso, lideranças dos setores produtivos manifestam descontentamento com a rigidez ortodoxa na área econômica, e apresentam como prova a recente decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) que manteve a mínima redução de 0,5% na taxa básica de juro ? que prossegue sendo a mais alta em todo o mundo (15,25% ao ano!). O Brasil tem todas as condições de comemorar melhores resultados do que este (3,4% do PIB) na economia. Para isso basta a decisão política de investir no crescimento e para isso não precisa cair na irresponsabilidade populista, basta ter mais ousadia na liberação do potencial produtivo, hoje represado pela espoliante taxa de juro e pela paquidérmica carga tributária (aqui associada a uma implacável burocracia). Com um pouco mais de iniciativa, o Brasil poderia comemorar, trimestre após trimestre, taxas de crescimento do PIB à altura de nossas potencialidades.