Opinião
Quando a ansiedade prejudica
| ANA MARISE LIMA MIRANDA * Exatamente quando chegamos ao século 21 e temos um universo sempre maior de coisas para facilitar as nossas vidas, a rotina diária parece tornar-se cada vez mais complicada. As obrigações se acumulam... Temos de acordar cedo, trabalhar, o telefone celular destruiu nossa privacidade. Passamos a maior parte do tempo isolados do convívio com os familiares. Vivemos impacientes! Necessitamos ganhar dinheiro, manter a família, educar os filhos... Gritamos no trabalho, discutimos no trânsito e, ao final do dia, estamos abatidos e irritados. Perdemos a capacidade de relaxar, sentir prazer, descontrair. Vivemos na Era da Ansiedade e o simples fato de participar da sociedade contemporânea já nos faz viver ansiosamente. E a ansiedade é uma reação normal de nosso organismo, funcionando como um sinal de alerta que nos prepara para enfrentar as situações de perigos e temores de todos os dias. Enquanto o ser humano aprimorava sua inteligência e a capacidade de adaptação ao meio, tornou-se cada vez mais cheio de dúvidas e conflitos relacionados às suas atitudes e pensamentos. E quanto mais conflitos existem dentro de nós, maior é a nossa exposição ao estresse que nos deixa inquietos, com suores exagerados, aceleração dos batimentos cardíacos, dificuldade para respirar livremente, tremores, mãos frias e a sensação de estar nervoso ou inseguro. Se tais sintomas ameaçam prejudicar nossas atividades diárias, a ansiedade deve ser observada como um fenômeno patológico de maior ou menor intensidade, que necessita de tratamento. Ela faz parte do grupo dos transtornos ansiosos de que trata a psiquiatria. No mesmo grupo, estão inseridos o pânico, as fobias e o transtorno obsessivo compulsivo, entre outros. Pessoas com ansiedade grave apresentam-se deprimidas, impacientes, irritadas e até evitam participar de atividades que antes consideravam prazerosas como sair de casa, ir ao cinema ou encontrar amigos. Às vezes, até o sono encontra-se prejudicado. Entretanto, através do acompanhamento psiquiátrico adequado, poderão ter de volta seu equilíbrio e a capacidade de viver novamente de forma saudável e prazerosa. (*) É médica psiquiatra.