Opinião
Sem respostas - Editorial
O assassinato do líder dos camelôs, crime de morte cometido bem no centro de Maceió, é mais um emblema da trágica realidade que vivemos. Além do crime organizado, propriamente dito (responsável por um grande volume de delitos), a sociedade continua vulnerável a bandidos de toda espécie, atuantes em todas as camadas sociais. É escandalosa a facilidade com a qual um pistoleiro executa um homem em meio a uma verdadeira aglomeração, ajuntamento humano esse situado numa área que deveria estar policiada (até porque era natural o aumento das tensões entre os feirantes em função da ocupação do novo espaço). Em plena luz do dia, um sicário executa sua vítima sob os olhares de dezenas de pessoas e foge a pé. Crime planejado, sem dúvida. E quem planejou desconsiderou os riscos de ser abordado por policiais cuja presença deveria ser certa ali pela cena do crime. Na mesma data, também em plena luz do dia, uma comerciante era abatida a tiros na maior cidade do interior alagoano, e o matador não deixa pistas. Dias antes, o sangue havia corrido na cidade de Batalha, no duplo assassinato cometido em noite movimentada, a poucos metros da delegacia. Onde está a capacidade do poder público em fazer frente a esse tipo de crime? Os pistoleiros agem com a segurança de que não serão interceptados nem durante o ato criminoso, nem terão cortadas suas rotas de fuga. E não tem sido fácil encontrar fugitivos da justiça, que o diga o vereador de Rio Largo que consegue exercer o mandato ao mesmo tempo em que está literalmente desaparecido. As autoridades têm consciência de que essa situação não pode perdurar, até porque a impunidade serve de estímulo para a multiplicação de crimes idênticos, mas essas mesmas autoridades não têm conseguido responder à altura essa assustadora. Quanto tempo ainda a sociedade terá de esperar por respostas satisfatórias?