Opinião
Lata do lixo - Editorial
Não se pode dizer que a discussão tem sido pouca em torno da questão do lixo em Maceió. O ?lixão? está em pauta há bastante tempo e , desde o local certo para sua localização até os procedimentos técnicos, passando pela questão social da miséria chocante dos catadores. Mas, apesar dessas polêmicas todas, poucos avanços podem ser auferidos pela opinião pública. A impressão é que vivemos de retrocesso em retrocesso no tocante a esta questão. Como se pode ler em nossa edição de domingo, Maceió não conseguiu ainda entrar de verdade na era da reciclagem do lixo, mesmo depois de muitos anos dessa iniciativa ter mobilizado toda uma comunidade, como a do bairro da Pitanguinha. Segundo especialistas, Maceió é uma das capitais mais atrasadas nesse aspecto. Até a própria experiência pioneira do bairro da Pitanguinha parece fenecer e mais da metade dos trabalhadores daquela unidade de reciclagem foram dispensados há pouco tempo. Na avaliação de quem entende do assunto, a existência de uma carga tributária aqui mais pesada que alhures estaria impedindo o surgimento de investidores no negócio do lixo em Alagoas (sim, o lixo pode ser um negócio, o que parece incrível para a maioria). Será que é assim mesmo? Sendo apenas este o óbice, talvez seja mais fácil resolver, pois aí caberia exclusivamente aos poderes públicos estudarem comparativamente nossa legislação tributária com as dos demais estados e recolocar o Estado (ou o município) em condições de competitividade. Mas, pensando bem, por aí talvez a coisa complique, pois quase todas as lideranças empresariais de Alagoas tem protestado, há anos, sem sucesso, contra a perda da capacidade alagoana de atrair empreendimentos em função da questão tributária local. Pelo sim, pelo não, é lamentável saber que até no lixo estamos perdendo para dos demais estados brasileiro. Oxalá isso mude.