Opinião
SOS mata atl�ntica
| JOSÉ MEDEIROS * De certa feita, relatei numa crônica um fato que foi contado pelo senador Gilberto Mestrinho, ex-governador do Amazonas, durante palestra a que assisti no Senado. Ele estava passeando numa avenida central de Paris, quando foi abordado por um grupo de jovens, vestidos e enfeitados de verde-amarelo, que solicitavam ajuda para salvar a floresta amazônica. O grupo pertencia a uma organização francesa que apresentava um projeto bem sugestivo: dar assistência às populações que moram às margens dos rios daquela região; pedir a punição de madeireiras que fazem contrabando de madeiras nobres para o exterior e reflorestar as regiões queimadas e os espaços vazios existentes. O senador não caiu na conversa; eles nem falavam português. Mesmo assim, aguardou a possibilidade desses salvadores de floresta aparecem na Amazônia, o que jamais aconteceu. A destruição das matas nativas em todo o País é uma constante; o desmatamento da mata atlântica não fugiu essa regra. Apenas, recentemente, foi despertada a consciência ecológica da necessária preservação do meio ambiente. Por isso, causaram-me surpresa a comemoração do ?Dia da Mata Atlântica?, ocorrida em semanas anteriores. Há o que comemorar? Houve redução dessa destruição secular? Uma pesquisa na Internet mostrou-me dados que não conhecia: houve uma redução de 71% nas taxas de desmatamento, no período de 2000 a 2005; daí a comemoração. Dos Estados avaliados os que mais reduziram essas taxas estão no Sudeste e no Sul. Alagoas não é citada nesse estudo. Todavia, quase sempre, ao lado de uma boa notícia vem uma má notícia. Segundo essas estatísticas, o que resta da floresta original da mata atlântica ? que existia nos séculos 16 e 17 ? soma apenas 7 a 8%. Um fato a lamentar. Como as estatísticas, por mais cuidadosas que sejam, são utilizadas a bel-prazer de quem as divulga, corre sobre isso uma piada na Internet: ?as estatísticas são como os biquínis, o que mostram é muito interessante, mas o que escondem é vital?. Há um longo caminho a percorrer até que se consiga uma proteção adequada as nossas riquezas biológicas. As catástrofes ambientais são cada vez maiores e mais destruidoras. Leis de proteção ao meio ambiente existem e são muitas; o problema está no descumprimento delas. (*) É médico.