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Copa do Mundo

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| LYSETTE LYRA * O futebol é um esporte que tem o poder de unir o mundo em suas Copas Mundiais. É um momento em que povos de várias nacionalidades, de credos diversos, de linguagens e culturas variadas, conseguem conviver sem ódios. São adversários numa luta sem mortes. Convivem em busca da vitória, sem guerras. É o milagre do esporte! Essa é a segunda vez que a Alemanha sedia a Copa Mundial de futebol. Em 1974, era uma Alemanha divida. Em 2006, pode alegrar-se de ter o país unificado, sem o opróbrio daquele muro separando Berlim em duas facções tão distintas, sujeitando parte de sua gente a ditadura comunista, cuja tirania e atraso faziam-na tão infeliz. Sobretudo quando do outro lado, uma democracia progressista se desenvolvia, proporcionando aos compatriotas o bem-estar e a liberdade. Ninguém desejou mais essa muralha de pedra e concreto do que Walter Ulbricht, chefe de Estado da República Democrática Alemã. Só assim pode impedir o êxodo de milhares de pessoas descontentes com o tratamento e com as condições de vida em Berlim Oriental, para o lado ocidental ou República Federal da Alemanha. Somente desse modo conseguiu segurar o ?Estado dos trabalhadores e operários?. Sem o muro e as duras punições contra os que tentaram atravessá-lo, não teria sobrevivido por 28 anos. Quantos foram mortos pelos guardas soviéticos, na tentativa de galgarem o paredão para fugir! Estive em Berlim nessa época, visitei os dois Estados, presenciei o modo de vida das duas Alemanhas. Era gritante a diferença entre a oriental e a ocidental. A primeira, atrasada, empobrecida, infeliz, com a liberdade cerceada pela tirania soviética; na outra era notório o desenvolvimento, a alegria, o status do povo livre. Mesmo como visitantes da oriental, sentimo-nos oprimidos por tantas fiscalizações, tantos inquéritos. Os brasileiros têm sido muito bem recebidos na Alemanha, admirados e respeitados pelas cinco estrelas que ostentam nas camisas. Até as crianças aderiram as camisetas brasileiras. Alemães e imigrantes que trabalham no país, vibram com a presença dos grandes craques do futebol brasileiro. Inclusive a nossa caipirinha está nos bares competindo com as famosas cervejas locais: a Weissbier, a Erdinger. Um vinho foi especialmente fabricado para o evento. A Casa das Culturas do Mundo, chamada popularmente a ?Ostra grávida? pela sua forma arquitetônica será o palco dos espetáculos artísticos realizados durante a Copa. Uma grande bola foi montada perto do Portão de Brandemburgo como homenagem ao acontecimento, e o ?Goleo?, a mascote da Copa, um boneco incrementado e alegre, invade as lojas, em várias formas. Organizados e disciplinados, os alemães há um ano estão com sua estrutura pronta para os jogos. (*) É escritora.

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