Opinião
Contra a democracia - Editorial
Repetidas vezes na história, movimentos políticos radicais findam cumprindo o papel daquilo que declaram combater. Os Camisas Pretas de Mussolini diziam-se defensores dos trabalhadores italianos contra o grande capital e terminaram produzindo a funesta ?Carta del Lavoro? (legislação trabalhista repressora) e tornaram-se os mais aguerridos aúlicos dos plutocratas (e dos monarquistas) da Itália. O próprio Benito Mussolini teve passado de militância socialista. E tudo deu no que deu. As ações do intitulado MLST indicam uma prática contrária ao apregoado por essa organização que se arvora defensora dos trabalhadores rurais ? praticam, à larga, o vandalismo das gangues urbanas. O que se vê ao longo dos últimos anos é uma ciranda de iniciativas destinada a ocupar espaço na mídia, alimentando o ócio destrutivo num crescente contingente de párias, profissionalizados em fabricar tumultos. Mesmo as invasões das fazendas não se destinam ao uso produtivo da terra. O que move esses radicais facistizados é a pressão para que mais e mais dinheiro migre dos cofres públicos para o financiamento, a fundo perdido, do movimento em si, per si. O ataque à Câmara dos Deputados (detalhadamente planejado e minuciosamente executado) é apenas a comprovação de uma velha orientação deletéria. Apresentando-se como radicais de esquerda fazem o que os verdadeiros radicais de direita não tiveram coragem de fazer durante os muitos períodos ditatorais sofridos pelo Brasil: depedrar, destroçar fisicamente o Parlamento. O poder parlamentar é uma referência real da democracia. Se, num determinado momento histórico, seus membros estão decepcionando o povo, apenas as urnas (e estamos em ano de eleições) podem ser usadas para destroçar os mandatos individuais e as representações partidárias julgadas indignas de estarem naquela casa.