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Opinião

Mudando a maneira de mudar

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| MÁRIO JUCÁ * Um sistema que precisa ser revitalizado, logicamente exige mudanças. O ensino da medicina há muitos anos tem se mostrado inadequado ou insuficiente. Cada vez mais após seis anos de curso, as especialidades, através das residências médica, têm crescido o número de anos de treinamento. Nenhuma profissão tem um desenho de formação como a médica. É um sistema de múltiplos gargalos: o primeiro é o vestibular, em seguida a adaptação com a convivência com a doença, o doente e a morte. Muito complexo. A revitalização do curso não é um processo incremental. É na realidade um novo desenho de processo ensino-aprendizagem, que privilegia a prática e o ambiente de aprendizado integrado, onde os conhecimentos são discutidos e valorizados de acordo com a sua expressão epidemiológica. Agora imaginem um sistema que tradicionalmente funciona com aulas expositivas, repetidas muitas vezes com o mesmo material 3 a cinco anos, e as práticas o exercício de atendimento à população de forma assistemática de tal maneira que o que se estudou não tem nada a ver com o que se viu na prática, como então correlacionar? Muitos não acham importante, porque já estão com o vício de não se permitirem mudar. Toda mudança agrega estresses e incertezas, mas certamente, regulada e acompanhada por um grupo competente e flexível trará grandes avanços. O comentário é quase uníssono: está uma doidice. Não é que a mudança esteja uma doidice é que a mudança na cabeça dele é um estrondo na ordem psicológica de suas atividades mentais associativas. Quais os fatores que levam uma revitalização sustentável? Nenhum estudioso em currículo, em mudanças transformacionais responde com segurança essa pergunta. Para cada realidade o painel de fatores difere. A agilidade em desfazer os nós críticos e a responsabilidade individual de cada partícipe do processo de mudança e o compromisso coletivo da construção, certamente garantirá a implantação. Agora, toda falha é vista como uma ameaça e aparecem os sabotadores: eu não disse que isso não ia dá certo? Disse onde? No grupo de elaboração do plano de revitalização do curso, ou apenas ouviu, ou apenas não participou para com a omissão garantir o seu não envolvimento? Será que alguém não é culpado? Quando a proposta é coletiva, os ausentes e omissos são considerados. Sério não? No processo, cada efeito deverá ser refletido pelo grupo gerenciador, mas também por todos os partícipes. Não se pode culpar ninguém quando o evento não aconteceu no processo por falta de capacitação ou habilidades do facilitador. (*) É médico.

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