Opinião
Munic�pios de Alagoas
| Marcial Lima * Em nossas mãos, os quatro primeiros fascículos da série Municípios de Alagoas: uma feliz iniciativa do Instituto Arnon de Mello, contando com o patrocínio do governo do Estado e da Prefeitura de Maceió, em parceria com a Brasken e Infraero. Em 12 semanas, os assinantes da Gazeta de Alagoas contarão com um completo e atualizado conjunto de informações sobre as 102 circunscrições administrativas que compõem esse pedaço de chão situado na porção centro-oriental do Nordeste brasileiro. Isso é bom! Munícipes tomarão ciência das potencialidades da microrregião onde habitam, podendo, ainda, conhecer a história, economia e aspectos geográficos dos demais municípios, o que lhes propiciará uma mais consistente leitura do mundo que os rodeia, levando-os a uma melhor compreensão sociocultural e histórico-temporal de sua realidade. Alunos e professores contarão com fotos, gráficos, tabelas e com toda uma gama de informações que fundamentarão seus estudos. Empresários empreendedores poderão melhor situar seus investimentos. Poderíamos, ainda, destacar outros dois aspectos implícitos nos referidos cadernos: a alameda que se descortina, para que exploremos em nossas salas de aula questões relacionadas ao sentimento de pertença; o universo que se expande, para que possamos fundamentar, nos bancos escolares, questões relacionadas à educação patrimonial, atentando para as manifestações culturais locais em seus diversos sentidos e significados. Ao correr os olhos pelas convidativas páginas do material objeto deste artigo, tomando contato com os fatos motivadores de sua realidade, os leitores poderão sentir-se não-somente fazendo parte da comunidade onde vivem, mas, antes de tudo, dela sendo parte. Por conseqüência, poderão sentir-se envolvidos num processo de enriquecimento resultante do assenhoramento dos juízos e significados de suas raízes culturais. Diante da consciência de que fazemos parte de um lugar, poderemos estar abrindo espaço para um círculo virtuoso, onde se instale a auto-estima e a ação cidadã que rompe com o individualismo, que constrói integridades. Esse sentimento de pertença é um elemento primordial não só para o encontro do indivíduo consigo mesmo, mas, também, para o estabelecimento de suas relações com o mundo. Isso é primordial, porquanto o enraizamento ? como bem observa o sociólogo Mauro Coury ? não nos torna isolados: faz-nos autônomos, universalizando-nos a partir de nosso lugar. (*) É professor e presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural.