Opinião
Santo Ant�nio e seus devotos
| Milton Henio * Foi muito bem colocado o dia 12 de junho como o Dia dos Namorados, bem ao lado do dia 13, que é dedicado ao protetor deles, o santo glorioso Santo Antônio. Essa data marca muito a minha vida porque era tradição, desde a minha infância, comemorar a Trezena do Santo. Desde os meus avós, continuando pelos meus pais, lá no Parque Gonçalves Ledo, tendo como mestre de cerimônia meu saudoso irmão Mário Helio. A casa ficava repleta dos parentes e amigos. Foi numa festa do dia dos namorados que conheci minha esposa Myrza, que por coincidência era o dia do seu aniversário. Isso faz 48 anos. E, graças a Deus, somos muito felizes até hoje. É que amar é diferente de gostar. Reparem que Cristo não nos manda gostar, mas amar os outros. Esse é o grande problema nos dias de hoje em que o desamor fica cada vez mais acentuado pela falta de espiritualidade das pessoas. No mundo atual em que esse amor deveria existir como meta prioritária entre os jovens namorados e entre os casais, o sexo é destacado como primordial antes de tudo. Entre os adolescentes o hábito de ?ficar e ficou? tem causado momentos de prazer e angústia ao mesmo tempo, quando eles caem na realidade e surge uma gravidez não programada. Segundo Eric From, o verdadeiro amor tem um sentido de solidariedade, de participação, de companheirismo, compreensão e paciência. Esse poder sobre o amor não só entre jovens como também em adultos, decorre de uma forma muito peculiar, de uma corrente misteriosa que atrai um e outro e que deve ser mantida e cultivada. Daí S. Antônio ficar atarantado com tantos pedidos principalmente das mulheres, para que seus noivados e casamentos se perpetuem dentro dessa lógica. Santo Antônio nasceu em Lisboa, estudou em Coimbra e morreu em Arcella, perto de Pádua, na Itália, mas é alagoano de coração, pois já recebeu a cidadania de milhares de mulheres, homens e crianças que vão vê-lo no Convento dos Capuchinhos, na Igreja dos Martírios, na Matriz de Bebedouro e muito outros locais de Alagoas. Que me perdoem os amigos portugueses, mas se ele nasceu na terra lusitana, se precedeu a Camões na graça neolatina de nossa língua, recebeu entretanto a cidadania alagoana decorrente de nossa simpatia e confiança em seus favores. Na passagem de seu dia, como alagoano apaixonado por minha terra, uno o meu pedido aos dos meus conterrâneos, dizendo: ?Meu amado padroeiro/Meu bondoso protetor/Dê a paz à minha terra/Inspirando em nossos poderes o amor/Faça dos nossos dirigentes irmãos/Vivendo em Nosso Senhor?. (*) É médico.