Opinião
Bambu em alta - Editorial
Quem diria: palitos de bambu garantem sustento de milhares de pessoas em Alagoas. Essa constatação deve ser encarada como se pode encontrar o sucesso buscando caminhos mais simples para se enfrentar as crises na economia. Durante tempos imemoriais o bambu foi visto como um vegetal de pouca valia. Com ele faziam-se uns móveis, quiçá umas flautas, e ? principalmente ? varas para pescar. No mais, a utilidade mesmo era plantar os bambuzais nas margens dos córregos, a título de substituir os mangues perdidos (como forma de evitar a erosão das margens por falta de cobertura vegetal). Há algum tempo, coisa de duas décadas, em Alagoas, pesquisadores passaram a divulgar as mil e uma utilidades do bambu. Explicavam que na Ásia esse mesmo vegetal era a base da construção civil popular, e várias outras utilidades eram demonstradas em exemplos do mundo todo, desde móveis até instrumentos musicais. De uns dez anos para cá, começaram a investir em projetos inovadores para o bambu e até uma revolucionária casa edificada a partir de uma estrutura em bambu foi montada em Juvenópolis (entidade dedicada a educação de menores, em Bebedouro). E, eis que, uma simplíssima utilidade foi se alargando num nicho de mercado que escapou a quase todos os principais estudiosos: espetinho para ?churrasco-de-gato?. O popular churrasquinho, vertido numa paixão popularíssima em Alagoas, demandou uma surpreendente quantidade de espetinhos. E aí, para confeccionar algo de extrema simplicidade, empregam-se centenas famílias. Certamente, os livros de economia não previram essa opção e certamente todas as demais opções para usos do bambu continuam à espera de respostas. E certamente todas serão encontradas com mais facilidade se os caminhos mais simples forem buscados.