Opinião
Obrigado, Alagoas
| HUMBERTO MARTINS * A ida para o Superior Tribunal de Justiça, STJ, embora reduza minha presença física em Alagoas, aumenta os laços com a terra onde nasci, dei os primeiros passos na vida, estudei, trabalhei, constitui família e fiz um conjunto de amigos e companheiros de trabalho que são partes inseparáveis de mim. Nesses últimos dias, enquanto encerro minhas atividades no Tribunal de Justiça de Alagoas e executo outras tarefas indispensáveis a minha ida para Brasília, passam pela minha mente, como num filme inesquecível, as lembranças do Ministério Público, onde fui Promotor de Justiça Adjunto, da Associação dos Procuradores de Estado, onde fui presidente, as memoráveis jornadas como membro da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB/AL, onde fui presidente por dois períodos, a convivência com os professores e alunos da Universidade Federal de Alagoas, onde sou professor, o cotidiano no Tribunal Pleno, nas Câmaras Criminal e Cível do TJ/AL, a vice-presidência, corregedoria e Escola Judiciária Eleitoral do TRE e outras labutas memoráveis. Na verdade, mesmo nos momentos de mais trabalho e tensões, o prazer de exercer essas honrosas funções ajudou-me a ultrapassar os obstáculos, consagrando minha crença permanente na verdade de que a vocação e o trabalho, temperados com determinação, são aliados do êxito. Devemos fazer dos obstáculos oportunidades e não das oportunidades obstáculos. O fato de ser o primeiro componente de um tribunal alagoano a ascender ao STJ, sem dúvida, envaidece-me, mas a grande repercussão dessa generosa realidade no meu ser é o sentimento de um aumento de responsabilidade com a coletividade, em particular com os alagoanos e nordestinos com quem convivo e com os quais divido os louros dessa conquista. Enaltecendo, contudo, a presença no STJ de dois dos mais ilustres filhos alagoanos, os Ministros Pedro da Rocha Acioli e Humberto Gomes de Barros. A inabalável fé em Deus, que me foi transmitida pelos meus pais, reafirmada a cada passo da minha vida, emoldura o episódio marcante da minha ida para o STJ. A esperança de uma Justiça rápida e eficiente confirma o que repito sempre que tenho oportunidade: é preciso somar esforços e fazer todos os sacrifícios que sejam necessários para proporcionar aos brasileiros decisões judiciárias mais rápidas, porque Justiça tardia não é Justiça, é injustiça. São visíveis os progressos alcançados nas últimas duas décadas em que prevaleceu a autonomia do Poder Judiciário, com a ampliação e a melhora do nível de qualidade dos servidores, embora os recursos materiais estejam ainda muito aquém do que é necessário. Mas é preciso ter em mente que essa é uma luta incessante, uma batalha que tem de ser travada em todos os momentos, uma construção que requer confiança e perseverança. (*) É desembargador do TJ-AL.