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A passagem da P�scoa

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| DOM FERNANDO IÓRIO * Enquanto nós passamos, a cada passo, vai a Páscoa passando. Somos caminheiros no trem do tempo. Aonde iremos? Passava alguém, a todo galope, no seu vistoso cavalo, quando um amigo gritou: aonde vais? E ele: ? aonde o cavalo me leva. Não dispunha de um endereço certo. Entretanto, passagem não é, apenas, efemeridade, senão acesso, bilhete que permite a passagem de um a outro lugar, de uma para outra situação. Como peregrino aparece o povo de Deus. Era Abraão, consciente caminheiro, que fazia da fé em Deus seu mais seguro transporte. No momento das ofertas das primícias, recordava o judeu a história da caminhada do povo: ?Meu pai era um arameu errante... desceu ao Egito? (Dt 26.5)... ?Os egípcios nos maltrataram... clamamos ao Senhor... Ele nos fez sair do Egito... e nos fez chegar a este lugar?. O Senhor passou pela terra do Egito, ultrapassando o poder do Faraó; o sangue passado nas casas fazia o castigo passar a distância. A partir daí, tornou-se a vida do povo aquela constante passagem pelo mar que se tornava caminho, a pé enxuto, e pelo deserto que se abria em flor. De fato, Deus fez o povo passar da terra da escravidão para a terra da promessa, para a condição de povo de Deus. Basta dizer que, na Terra da Promissão o povo, infelizmente, abraçou outros deuses, andou de mão em mão, subjugado ora por uma, ora por outra potência mais forte, chegando a perder tudo quanto recebera: a terra, a liberdade. Entretanto, em todas essas vicissitudes, algo não passou jamais: o amor e a fidelidade de Deus àquele povo caminhante e cambiante. Deus é Aquele que passa sem tornar-se pretérito, passado; passa renovando a face da terra, através de Seu Espírito, enquanto o Filho é a passarela para o Pai. Se a Trindade é assim, por que não o seríamos, também, nós? Passou a Quaresma, convidando a Páscoa para decisiva e constante passagem. Distante, nosso caminhar, nosso passar é tarefa constante. Somos convidados a estar sempre prontos, vigilantes, bastão na mão, rins cingidos, lâmpadas acesas, porque, a qualquer hora, estaremos passando, dirigidos pelo Espírito que tudo renova, dentro e derredor de nós. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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