Opinião
Heran�a medieval - Editorial
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o governo brasileiro discutiram, nesta semana, planos para a erradicação da hanseníase. Moléstia mais conhecida como lepra, é, desde épocas imemoriais, uma grande fonte de sofrimentos, temores e preconceitos. Nos tempos medievais, em quase toda Europa, os portadores de hanseníase eram escorraçados das comunidades e obrigados a viver em grupo de infectados, tinham de tocar sinos (ou outras formas de instrumentos sonoros) para avisar de sua presença, ou passagem por alguma estrada movimentada. Hoje, em pleno século 21, o Brasil ostenta a vergonhosa marca de ser o segundo País no mundo com maior ocorrência de lepra, superado apenas pela Índia. Segundo fontes do Ministério da Saúde, o Brasil estaria ?caminhando para a eliminação da doença como problema de saúde pública, mas ainda não para sua erradicação?. Para o Ministério da Saúde, as estatísticas mostram ?que ao longo de 2005 foram notificadas mais de 30 mil ocorrências do mal de Hansen no País?. Continua sendo um dado preocupante e, felizmente, as autoridades públicas estão buscando intensificar as parcerias internacionais com o objetivo de alcançar maiores êxitos nessa guerra pela vida. Hoje, neste mundo altamente evoluído do ponto de vista científico, é inconcebível se aceitar tamanho atraso como este, que coloca o Brasil entre os locais nos quais sobrevivem moléstias já erradicadas em vários pontos do globo. Que sejam aplaudidas as declarações de colaboração entre a OMS e o Ministério da Saúde, mas que sejam cobradas mais coisas que declarações bem-feitas. Precisamos de ação, de iniciativas concretas que reflitam na redução progressiva do número de manifestações dessa doença. O Brasil precisa de um calendário contra a lepra, no qual estejam comprometidos metas e datas nessa luta.