Opinião
Tributo � sanfona
| LUIZ BARROSO FILHO * O folclorista Ranilson França, maior defensor dos folguedos populares de Alagoas, publicou recentemente o livro De Neném a Dominguinhos: trajetória discográfica, abordando aspectos da vida e da obra de José Domingos Moraes, o Dominguinhos, cantor, compositor e instrumentista pernambucano, expoente da autêntica música nordestina, que tem no forró sua principal expressão. Herdeiro musical de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, com mais de 50 anos de carreira, é um artista que se mantém fiel às suas raízes e cada vez mais respeitado, como divulgador dos nossos ritmos, continuando o trabalho iniciado pelo ?Rei do Baião?, que tornou o forró pé-de-serra conhecido em todo o País. A pesquisa do folclorista Ranilson França destaca a extensa discografia (34 LPs e 37 CDs) do autor de De volta pro aconchego, constituída basicamente de baião, xote, xaxado, marcha junina, rojão, toada e arrasta-pé, comprovando sua importância para a música regional e a influência que ele exerce sobre uma quantidade enorme de conjuntos de forró e de cantores, em razão do repertório e por ser um virtuose da sanfona (acordeão), instrumento muito popular e indispensável a execução desses ritmos que dominam o cenário musical do Nordeste, notadamente no período dos festejos juninos. Apesar de pouco usada na chamada ?música culta? e do estigma de ser um instrumento de matuto, a sanfona, ao longo do tempo, tem sido valorizada por artistas consagrados, como por exemplo: Sivuca, Pedro Raimundo, Chiquinho do Acordeon, Pedro Sertanejo, Abdias, Caçulinha, Hermeto Pascoal, Renato Borgetti, Osvaldinho e outros que fazem música brasileira de boa qualidade nos diversos estilos. No caso de Dominguinhos ? além de incursionar em vários gêneros ?, sua contribuição para a música da nossa região é inestimável, sobretudo, porque seus inúmeros seguidores estão sempre batalhando para manter a vitalidade do forró, resistindo às porcarias que nos obrigam a engolir durante o ano inteiro. A merecida homenagem a Dominguinhos é também um tributo à sanfona, sustentáculo do forró pé-de-serra, que haverá de permanecer insubstituível como elemento da cultura musical do Nordeste. Por isso, o livro do professor Ranilson França é dedicado a todos os sanfoneiros do Brasil. (*) É advogado e membro da Comissão Alagoana de Folclore.