Opinião
O Pa�s da bola
| DOM EDVALDO G. AMARAL * Se um estrangeiro, não antenado com as notícias esportivas do mundo, chegasse nesses dias ao nosso País, julgaria que estávamos celebrando importante data cívica, a Independência, ou coisa parecida. O País todo ornamentado de bandeiras nacionais, o povo vestido com as cores nacionais, enfim, aos olhos do turista, deveria tratar-se de um megaevento nacional, uma excepcional celebração cívica. Como bom brasileiro que pretendo ser, não sou contra o futebol. Mas não consigo entender que um esporte, por mais ?nacional? que seja, transforme-se em extraordinária celebração cívica. Que uma partida de futebol numa Copa do Mundo seja alçada ao nível de culto à pátria, que a ela dê o sentido de civismo com conseqüências para o progresso nacional. ?É o Brasil inteiro acompanhando-nos? ? dizia entusiasmado um locutor. Até a devoção a s. Antônio dessa vez foi invocada para proteger o desempenho de nossos jogadores na abertura da participação na Copa do Mundo de 2006. Quando nosso País precisa trabalhar e muito para vencer o subdesenvolvimento, nossa juventude tem de estudar para se preparar para um futuro melhor, penso que nossas energias não deveriam se aplicar tanto ao futebol e à torcida pelas vitórias esportivas... O futebol no Brasil de hoje é o verdadeiro ?ópio do povo?. Esquece os grandes problemas nacionais, esquece os assuntos graves de interesse nacional e pensa só em futebol. Bem, mas como estamos também na época dos códigos, vamos também consultar um. Não o código de Hamurabi, anterior a Abraão (1850 a. C.), nem o falso e enganoso código Da Vinci, difundido pelo filme de Ron Howard. É algo mais ingênuo e simples: é o código de Yokohama. Está no estádio onde o Brasil ganhou o pentacampeonato. Trata-se do seguinte: o leitor amigo coloca em duas colunas os anos das vitórias do Brasil na seguinte ordem: em cima, o ano da 3ª vitória (1970), abaixo, a 2ª vitória (1962) e por fim, a 1ª vitória (1958). Do outro lado, na segunda coluna, põe no alto a 4ª vitória (1994), abaixo, a 5ª vitória (2002) e por fim, ao lado da 1ª, a anunciada 6ª vitória, que seria 2006 (?). Agora, o leitor some o ano 1970 com 1994 e dará 3964. Somando o ano da 2ª com o da 5º, dá também 3964. E finalmente, somando a data da 1ª com a possível 6ª, o mesmo resultado: 3964! O mesmo resultado nas três somas, sempre 3964, incluindo o talvez próximo hexacampeonato (?). Que Deus tenha compaixão deste País. Abençoe nossos craques e sobretudo nós, os torcedores. Faça com que o País da bola seja campeão da ética na política, campeão dos valores cristãos. (*) É arcebispo emérito de Maceió.