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Opinião

As crises

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| MARCOS DAVI MELO * A má atuação de Ronaldo no jogo de estréia do Brasil, além de intranqüilizar a torcida brasileira, trouxe para o nosso selecionado o que o mais lúcido entre todos os cronistas nacionais, Tostão, reclamava que estava faltando: algo de perturbador, algo que criasse forte tensão entre os membros da delegação, enfim, uma crise. As crises, dependendo de como surgem e em que ambiente se instalam, podem criar as mais variadas respostas. Em uma família, como na Copa do Mundo anterior, denominava-se o time (Família Escolari), o surgimento de uma ovelha negra (é isso o que a maioria da crônica e da torcida quer alocar para Ronaldo agora), pode ser motivo de discriminação ou de reunião, apoio e superação, principalmente se o objeto da crise tiver relevantes serviços prestados, como é o caso do gordinho. Por outro lado existem situações do dia-a-dia da capital alagoana, que pela tensão que a cerca; pelo potencial de perigo e dano àqueles que convivem em suas imediações, merecem ser resolvidas antes que a verdadeira crise se instale, com conseqüências imprevisíveis para a comunidade. Essa é a principal razão da audiência que o Ministério Público estadual vai realizar nesta segunda-feira, com os promotores de eventos públicos, casas noturnas e a comunidade. Os eventos na orla, dependendo da proposta, como o realizado após o jogo com a Croácia, que terminou em arrastão, pode agravar ainda mais a questão da violência entre nós. Entre tantas situações geradoras de violência, uma das mais gritantes é a de uma boate na Rua Valdo Omena, motivo de denúncias dos moradores da região ao Ministério Público, não só por uso abusivo do som, mas também pelo vandalismo que seus freqüentadores causam na região, com todo tipo de transgressões que se possam imaginar. Filhinhos de papai endinheirados e desocupados em geral, atravessam noites e madrugadas em dias de semana, mostrando abusivamente que tem dinheiro para torrar e não precisam trabalhar no dia seguinte. Quem precisar trabalhar e dormir que se dane. A comunidade confia que o Ministério Público vá tomar as providências cabíveis para protegê-la dos irresponsáveis, dos baderneiros e da violência. A crise na seleção pode ser benéfica, em Maceió já as temos em demasia. (*) É médico e professor da Uncisal.

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