Opinião
Perigo banalizado - Editorial
Até os especialistas em violência se espantam com as estatísticas sobre os assassinatos na periferia de Maceió. Essa é a constatação de reportagem publicada neste domingo. Na periferia, o mais terrível é que a reação popular passa a ser de ver o assassinato como ocorrência banal, coisa comum do cotidiano de comunidades onde a segurança é apenas mais um entre tantos serviços públicos deficientes ou inexistentes. A banalização do assassinato é a mais terrível das conseqüências da ação impune nos criminosos sobre comunidades inteiras. O significado disso é aterrador, pois quer dizer que as pessoas esgotaram-se de protestar, cansaram de se escandalizar diante do sangue dos semelhantes. Ver o crime de morte como algo banal só pode ser concebido nas sociedades bárbaras, ou nas comunidades onde as guerras desbaratam os poderes públicos. O assassinato é algo chocante e inusitado, mesmo nos países mais pobres, mais sofridos, mas que não estejam sob o tacão de uma outra nação invasora ou sob as mazelas das guerras civis. Mesmo no Iraque despedaçado pela ocupação americana ou na Colômbia flagelada pela guerrilha, o assassinato (mesmo sendo ato recorrente) é algo capaz de revoltar as pessoas. Na periferia de Maceió, parece ser ?assim mesmo?. Se for assim mesmo, é a verdadeira falência dos poderes públicos; é a capitulação frente ao crime organizado e aos desmandos generalizados. É um erro grave e primário se supor a violência que castiga a periferia como um problema localizado. O que acontece nessas áreas dessasistidas é um simples prenúncio, é um aviso à cidadania. Não descuidem do que acontece nos bairros periféricos, a violência é uma chaga que deve ser enfrentada com vigor em qualquer local que apareça, pois sua tendência natural é se espalhar, como um câncer.