Opinião
Seguran�a m�nima - Editorial
Ao mesmo tempo irônica e lúcida, é irrebatível a argumentação do fugitivo de condicionar sua rendição a não ser devolvido à carceragem da Polícia Federal, pois ?como foi fácil sair de lá, da mesma forma será fácil alguém entrar e me matar?. Triste verdade! Em verdade, essa escandalosa fuga reafirma a necessidade de se rever a política prisional brasileira. O que parece evidente é que se perdeu inteiramente a noção sobre segurança básica e funções elementares da cadeia, dos presídios. Quando não se foge das grades, dirige-se o crime organizado de lá de dentro. Cá fora, a única certeza é que o sistema prisional brasileiro não recupera ninguém, é um sistema incapaz de reintegrar à sociedade os homens e mulheres que cometeram delitos e estão encarcerados por conta disso. Por outro lado, os poderes públicos estão devendo à opinião pública explicações sobre os fartos recursos investidos em equipamentos ditos de segurança máxima. Em Alagoas, dois exemplos diferentes expõem a mesma ferida aberta: duas construções especificadas para máxima segurança estão a se revelar de mínima confiança. Esses são os casos do Presídio Baldomero Cavalcanti e da carceragem da Polícia Federal. Seria de bom alvitre o levantamento das contas passadas para checagem de quanto se investiu em cada uma dessas obras. Algo está errado, além da incompetência, conivência ou cumplicidade dos agentes públicos responsáveis pela guarda dos presos, pois túneis são escavados com espantosa facilidade e grades são serradas sem dificuldades. Há algo de podre no reino da segurança máxima e alguém tem de explicar isso ao povo. Enquanto as explicações não vêm (talvez nunca venham mesmo a ser dadas) é indispensável interromper esse círculo viciado que impossibilita saber se a sociedade corre mais perigo com os bandidos soltos ou presos.