Opinião
Amplitude
| EDUARDO BOMFIM * Ensina-nos um milenar adágio chinês que: ir além dos limites é tão ruim quanto ficar aquém dos limites. O atual contexto político nacional, com reflexos diretos pelos estados, instiga-nos à reflexão quanto à dura batalha política, eleitoral, que se aproxima. Aliás, ela já começou há bastante tempo, através das escaramuças de acusações, procedentes ou não, no cenário institucional brasileiro. Pode-se afirmar que existe uma guerra de posições e outra que acontecerá no período legalmente determinado à campanha eleitoral propriamente dita. O que se encontra em jogo é um grande embate entre as forças conservadoras, tradicionais e pós-modernas, contra o chamado campo desenvolvimentista. Os primeiros almejam a retomada do poder, retirado pelo voto popular nas últimas eleições presidenciais. Durante esses últimos anos o resultado das escaramuças expôs as vísceras das mazelas decorrentes de uma arraigada cultura política em nosso País, tidas como ?naturais?. Aqueles que delas sempre se utilizaram, ao longo de dezenas e dezenas de anos, em todos os períodos republicanos, passaram de vidraça a estilingue. A luta pelo domínio das instituições do aparato estatal é muito mais encarniçada do que imaginam os mortais, como nós. As esquerdas, núcleo central do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, aprenderam a dura lição. As elites dominantes possuem alto grau de experiência, sagacidade política. As artimanhas, as armadilhas empregadas são inúmeras. Sob intenso fustigamento, por parte dos conservadores, o presidente da República mantém altíssimos índices de aceitação, ultrapassando a faixa de 62% do eleitorado brasileiro. As esquerdas históricas podem ser vitimadas pela cláusula de barreira. São organizações que conferem a legitimidade que se exige em um verdadeiro Estado de Direito. As elites buscam introduzir o bipartidarismo. Já o PT sofreu para exorcizar a sua cultura partidária. Lançando candidatos majoritários em 18 estados, buscando ?recuperar mandatos e auto-estima?, o PT pode repetir uma política exclusivista, da qual havia feito mea-culpa, sem reciprocidade para com os seus aliados da esquerda. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessas circunstâncias, sem suficiente base parlamentar, poderá tornar-se refém dos segmentos conservadores. É fundamental a amplitude política. (*) É advogado.