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Opinião

O precursor

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| Dom José Carlos Melo, CM * Celebramos ontem a festa da natividade de São João Batista, que se assemelha às festas da infância de Jesus, evocando a manifestação da graça e bondade de Deus. O lema é a frase do seu pai Zacarias: ?João é o seu nome?. Essa frase é uma mensagem da gratuidade e bondade de Deus. Conforme relata a história, o casal Zacarias e Izabel já tinha idade avançada e não podia gerar filhos. Deus em sua infinita bondade lhes concede um milagre com a concepção de João, mas ao ser avisado, Zacarias duvidou, e conseqüentemente ficou mudo até o nascimento da criança. Daí, o sentido da frase. O próprio nome Yohanan significa ?Deus se mostrou misericordioso?. A vida do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. João é o precursor imediato do Senhor, enviado para lhe preparar o caminho. ?Profeta do Altíssimo?, ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser ?O amigo do esposo?, que designa como ?O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo?. João é mais do que um profeta. Nele o Espírito Santo conclui a tarefa de falar pelos profetas. Com ele, o Espírito Santo inaugura, prefigurando o que realizará com e em Cristo: restituir ao homem a semelhança Divina. O Evangelho lhe dá o cognome de Batista, porque ele anuncia um novo rito de ablução, no qual o batizado não imerge sozinho da água como nos ritos e nos batismos judaicos, mas recebem a água lustral das mãos de ministro. João pretendia mostrar assim que o homem não se pode purificar sozinho, mas que toda santidade vem de Deus. O batismo de João era para o arrependimento, o batismo da água e no Espírito será um novo nascimento. João é também lembrado como homem de grande mortificação. Talvez tenha ele sido iniciado a essa disciplina nas comunidades religiosas do deserto. Mas a tradição lembrou sobretudo seu caráter profético. Ele é profeta por duplo título. Antes de tudo é profeta no sentido em que essa palavra era entendida no Antigo Testamento; o último dos profetas, alias, João é o maior dos profetas de Israel, porque pôde apontar o objeto de suas profecias. Para realçar essa pertença de João à grande descendência dos profetas do Antigo Testamento, Lucas nos narra seu nascimento, permitindo ver através dele o perfil das grandes vocações dos antigos profetas. Mas o profeta não é apenas o anunciador do futuro Messiânico; é essencialmente o portador da palavra de Deus e a testemunha da presença dessa palavra criadora no mundo novo. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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