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Scolari ou Hiddink

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| JORGE BRISENO * No futebol e na vida, existem momentos em que a maneira de enfrentar os problemas ou as adversidades influi decisivamente nos resultados. Assisti à gravação do jogo Austrália x Itália. A Austrália não soube aproveitar a oportunidade que lhe foi oferecida pela sorte ao jogar todo o segundo tempo com um homem a mais que o time da Itália, devido à expulsão de um atleta carcamano. Oportunidade obtida de forma limpa, translúcida como o vidro. No entanto, ao invés de partir para o ataque e aproveitar a chance que lhe caiu às mãos e decidir a partida a seu favor, acovardou-se, mostrou-se apática, medrosa. Jogou encolhida, como se ela própria é que tivesse um jogador a menos. Foi devidamente punida pelos deuses do futebol com a justa derrota. Não foi abatida pela Itália. Foi derrotada pelo próprio medo, pela covardia. Foi destruída pela falta de liderança e pela ausência de ousadia. Foi derrotada por achar, antecipadamente, que não era capaz de ganhar. Já Portugal, no jogo com a Holanda, ultrapassou seus limites. Durante a maior parte do segundo tempo, jogou com apenas nove jogadores e, apesar de jogar contra um adversário tecnicamente superior, enfrentou a adversidade com coragem, determinação. A esquadra lusitana nem parecia ser formada por jogadores, mas por nove possessos no gramado. Multiplicaram-se como clones. Todos lutaram como touros indomáveis, tal qual feras acuadas. Foi o jogo da superação. Enfrentaram com igualdade os holandeses e não se amedrontaram com a truculência dos ?oranges? que mais pareciam uns centauros soltos no campo distribuindo coices para todas as direções, quase tentativas de homicídio. Ao final, Scolari os chamou de heróis que merecem ser lembrados para sempre. Eu diria que os portugueses deveriam colocar os bustos dos heróis em cada praça de Portugal. O papel dos dois treinadores foi decisivo. Hiddink, técnico da Austrália, não apoiava sua equipe e limitava-se a permanecer em pé próximo ao banco de reservas como se procurasse um abrigo seguro diante da derrocada que se avizinhava. Felipão, ao contrário, só não entrava em campo porque era proibido. Permaneceu todo o jogo à beira do gramado e de um enfarte, aos berros, apopléctico, incentivando, apoiando sua equipe, procurando atender a todos em todos os momentos. Comportou-se como um líder. Assim é no futebol, na família, enfim, em tudo na vida. Estamos sempre decidindo diante dos problemas e oportunidades se deveremos ser Scolari ou Hiddink. Se devemos nos comportar como os heróicos portugueses ou agir como os acanhados australianos. (*) É engenheiro e presidente da Casal.

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