Opinião
Justi�a real e virtual - Editorial
Dentre tantos temas importantes discutidos nos últimos tempos no Brasil, um está sendo de certa forma menosprezado. As formas virtuais de prestação de serviços por parte dos órgãos de Estado ainda estão sendo subtilizadas e um tempo precioso está sendo perdido, apesar das tímidas experimentações práticas nesse sentido. Recentemente, o governo de Alagoas lançou sua delegacia virtual de polícia. Ponto positivo. Muitas outras coisas poderiam estar mais avançadas, mas já é um bom começo. No patamar nacional, passos significativos estão sendo dados no campo da justiça virtual e no dia 30 de junho deste ano, em Brasília, foi realizado o Encontro dos Operadores da Justiça Virtual, evento que teve o apoio e a parceria do Conselho Nacional de Justiça. Coroando o evento, foi distribuído um documento intitulado ?Carta dos operadores da Justiça Virtual?, no qual está dito que o estabelecimento dessa rede de serviços informatizados é ?um instrumento de plena realização da cidadania?, ao mesmo tempo em que cobra urgência na implementação e na ?intercomucabilidade dos sistemas? eletrônicos da Justiça brasileira. Segundo a ministra Ellen Gracie, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ?com a implantação do processo eletrônico, as noções de tempo e de espaço nunca mais serão as mesmas. E o principal beneficiado é o cidadão?. Aplausos! A cidadania brasileira realmente espera que a informática seja usada, finalmente, contra a burocracia e todas as outras formas de entraves que castigam o brasileiro com infinitas tramitações, protelações e engavetamentos lamentáveis. A informática, precioso bem da sociedade contemporânea, precisa ser usado em prol da Justiça e da cidadania em toda a sua potencialidade. Oxalá, essa carta de Brasília tenha um resultado real e não apenas virtual (no velho sentido).