Opinião
Seguran�a zero - Editorial
De fato, nada parece melhorar no dantesco quadro da insegurança pública alagoana. O assalto à casa-grande da fazenda do irmão do presidente do senado, o também parlamentar Olavo Calheiros, é uma contundente reafirmação da total desenvoltura e grande ousadia do crime organizado. De uma coisa o crime organizado não pode ser acusado: discriminação social. Sejam ricos ou pobres, passando pelos remediados, todos ? sem exceções ? sofrem da inclemência dos bandidos. Nada está sob abrigo em Alagoas. Das maravilhosas residências rurais aos casebres suburbanos, todos sofrem do flagelo das gangues. Capital ou interior, ruas urbanizadas, vielas, caminhos poeirentos, rodovias, calçadas tudo é área de livre atuação dos meliantes. Mas de nada adianta lamentar. O caso é cobrar dos poderes públicos ações eficientes, planos exeqüíveis, metas ousadas no sentido de se oferecer duro combate às hordas que estão a infestar nosso Estado. E não devemos permitir que o clima eleitoral sirva de caldo de cultura para dificultar esse trabalho. Todos sabem que nessas épocas, tudo o que pode (e principalmente o que não deveria poder) é usado como arma de campanha. Destarte, todo cuidado é pouco, pois se por um lado, em tempos eleitorais os bandidos intensificam suas investidas, a tentativa de se usar a desgraça alheia como catalisador de votos é usual também nestes tempos. Justiça, polícia, políticos, líderes de todos os matizes devem fazer um esforço extra para que o combate ao banditismo seja travado de forma objetiva, contundente ? e transparente, sem manipulações de quaisquer matizes partidários. É por demais preocupante o atual quadro de insegurança pública. Tão preocupante que o cidadão deveria cobrar, desde já, uma excepcional dedicação e união dos poderes públicos nesta luta.