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Semi�tica do inferno

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| Mario Jucá * Desde a observação grega dos sinais até a mais simples observação desarmada do terror, não pode a semiótica do inferno irromper apenas o credo da política social, mas a falta total de sensibilidade e compromisso, que os anos se desenrolam para vitimar e ?sempre? os miseráveis, assim é a nova-velha figura da unidade de emergência de Maceió. Nada mais trágico, nem dantesco. Signos visuais confundidos com rumores deixam claro para todos que ali adentram a evidência pública do inferno. Não se pode manipular com publicidades e mascaramentos uma situação tão gritante. Por ordem que superam a capacidade de trabalho e resolutividade dos que ali prestam solidariedade e cumprimento do exercício de trabalho em meio lúgubre e desumano, na maioria das vezes o final é a alta celestial. Será que algum gaiato vai expressar que esta indignação é arte política ou eleitoreira, quando é uma linguagem permanente, que tentamos refletir nos espaços concedidos pela imprensa? Não, certamente não há tamanha burrice ou brutalidade. Nessa altura, os corredores camas e câmaras da morte repletos de sofredores que interpretam com a própria realidade a peça o inferno é aqui. Mas as manipulações da má consciência se reproduzem em outros planos e dizem: está tudo azul, como se houvesse uma síndrome de daltonismo, pois mais preta é impossível. Quando a mais de 20 anos por lá passei como plantonista, a coisa era corrida, mas menos perversa. Agora com a falência do sistema caloteiro e pagador de valores irresponsáveis, torna a cena uma constante, nada pode negar o mal que a população sofre, mas um silêncio absoluto das instituições que deviam denunciar e das pessoas que deveriam procurar resolver, uma problemática aviltante que se arrastam anos e anos, é estarrecedor, decepcionante e mais, revoltante. Indico para aqueles que acham que tudo está azul, cheio de estrelinhas, um céu, um mar de tranqüilidades, visitem o inferno, antes das eleições para saber como se posicionar. Onde estão nossos representantes nesse momento? Onde estão as pessoas que bradam que só pensam no bem do alagoano? Onde estão os promotores do desenvolvimento econômico e ?humano? deste Estado, doutos que conseguem se enganar com a maravilha do progresso do papel ou do futuro inatingível. Pois todos os índices e banco de dados são errados e sem expressão fidedigna do caos que se assiste? Aqui não se celebra uma posição política graça a palavra e a semiótica, mas uma constatação inconteste. Nem tampouco uma visão pessimista de um sonhador, mas uma clarividência técnica de um profissional sério e satisfeito com seu desempenho profissional, mas insatisfeito com a realidade a que está submetido de maneira geral. (*) É médico e professor Ufal.

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