Opinião
Os esquecidos - Editorial
Repetidas vezes aqui temos clamado por iniciativas urbanas para amenizar o caos viário da capital alagoana. Aqui também temos elogiado obras (poucas, é verdade) que têm sido realizadas. Mesmo estando aquém da necessidade de Maceió, as obras realizadas nos últimos anos têm conseguido amainar os graves problemas viários da cidade. Nesse rol podem ser incluídas o Viaduto Ib Gatto, a modernização da Fernandes Lima, a alça viária da Íris Alagoense e o recentíssimo viaduto Washington Luís. Mas, ao largo dessas iniciativas para amenizar os problemas do trânsito de veículos, os pedestres e ciclistas têm sido menosprezados. Honrosa e solitária exceção está na passarela/ciclovia que urbanizou a ligação entre as praias de Jatiúca e Cruz das Almas. Nas demais obras, pouca ou quase nenhuma preocupação tem merecido quem usa bicicletas ou os próprios pés para se locomover. Estão entregues à própria sorte. Conforme apurado pela reportagem da Gazeta, ao mesmo tempo em que o pesado fluxo de veículos tenta se adaptar às mudanças provocadas pela construção do viaduto e de pistas mais amplas na região do Parque Gonçalves Lêdo e de Avenida Tomás Espíndola, os pedestres estão perplexos e aterrorizados, pois lhes foram cassadas as poucas faixas de pedestres que teimavam em existir naquelas áreas. Agora, depois dessas obras, atravessar a pé algumas dessas áreas passou a representar um tremendo risco. Com essas modificações todas, os ciclistas nada perderam porque nada tinham. Continuam na mesma dificuldade de antes, tendo que improvisar, andando na contramão para ? pelo menos ? ver de frente o risco de morte iminente e tentar um drible salvador. Ao poder público municipal, os elogios pelo esforço construtivo e as críticas pelo esquecimento imperdoável dessas duas categorias de vidas em trânsito.