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Opinião

A Alemanha que eu vi

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| Lysette Lyra * A primeira vez que visitei a Alemanha foi em 1956, 10 anos depois da II Guerra Mundial. E fiquei abismada vendo a recuperação do país! Claro que ainda havia vários espaços desocupados, resultado dos muitos bombardeios, mas as construções novas e os edifícios históricos restaurados estavam por toda a parte. Não existiam auto-estradas, mas as antigas rodovias, que davam acesso às cidades, encontravam-se totalmente refeitas, com uma excelente pavimentação. O povo alegre parecia aliviado de tanta opressão e sofrimento. Muitos não comungavam com as idéias de Hitler, mas eram obrigados, pelo terror, a aceitá-las. Outros, antigos participantes do nazismo, não escondiam o arrependimento e a vergonha de sua cumplicidade com o cruel sistema. Os que puderam fugir se mudaram para outros países. Os campos, testemunhos de cruentas batalhas, estendiam com seus verdes exuberantes, como se nada houvesse acontecido nesses sítios bucólicos. Notava-se na população um vazio de pessoas de 25 aos 60 anos. A guerra acabara com duas gerações. Alguns poucos que encontrávamos eram, geralmente, mutilados. Bastante agradável percorrer aquelas estradas, passando sempre por dentro das cidades, o que nos oferecia a oportunidade de conhecer pequenas vilas pitorescas e históricas, e grandes cidades famosas por algum atrativo especial. Assim pudemos visitar ampla parte ocidental do país como: Baden-Baden, famosa estância mineral; Mogûncia; Heidelberg com sua importante universidade; Bonn, a terra de Beethoven; Frankfurt; Berlim, a capital política e outros vilarejos medievais em estilo românico e normando, os quais cruzamos. Percorremos o Reno de barco, contemplando as belas paisagens sempre enfeitadas com a presença de solenes castelos medievais, repletos de lendas e história. Em outras viagens, feitas posteriormente, conhecemos: Hamburgo, o maior porto da Europa; Colônia, com sua belíssima catedral gótica; Munique a princesa da Baviera. A Alemanha, hoje, recuperou a sua importância econômica e seu povo, que aprendeu, suficientemente, com a guerra, despiu-se de toda empáfia racial e faz questão de ser simpático e cordial. Organizado e trabalhador, sua indústria domina o mundo pela qualidade. Frankfurt está irreconhecível, com seus prédios modernos, de arquitetura arrojada, que abrigam grandes bancos e hotéis cinco estrelas, sendo, atualmente, o maior centro financeiro da Europa. Nesta Copa, o alemão tem a preocupação de apagar toda impressão que as crueldades da ditadura nazista espalharam pelo mundo. (*) É escritora.

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