Opinião
Redesenhar observando o todo
| André W. Carneiro * O equívoco que estamos cometendo no trato da informação é a observação focal. Não é culpa nossa, fomos envolvidos pela comoção da modernização. Assim como uma bola de neve que surge timidamente no topo de uma montanha, a tecnologia da informação, em pouco mais de meio século, ganhou volume e velocidade, e hoje quando não somos atropelados, somos carregados por essa avalanche de tecnologias. Em função de estarmos envoltos na bola de neve, fomos modificando nosso foco à medida que surgiam novas tecnologias. Falo da observação sistêmica da informação. No início, a meta foi a modernização dos departamentos, dos setores, de determinadas funcionalidades (Contabilidade, Recursos Humanos, Financeiro...). Atualmente o foco é a empresa, os sistemas integrados, as ERP?s ? Enteprise Resource Planning, Planejamento de Recursos Empresariais. No governo, esse conceito enfrenta resistência. As diversas Secretarias Estaduais ou Municipais e os Ministérios têm dificuldades em conversar. Na prática, são governos independentes, o que inviabiliza a sua implementação. Entretanto, em determinadas áreas do governo, tais como saúde, fiscalização, segurança, justiça... diversos órgãos das três esferas perceberam a necessidade do compartilhamento da informação. Observem que mesmo não conseguindo integrar uma esfera o governo vem buscando a colaboração de áreas afins pertencentes a esferas distintas. É um passo, mas não a solução. Precisamos saltar da bola de neve para um balão e deixá-lo nos levar bem no alto. Vamos observar nossa casa, a mãe Terra, de cima para baixo. Vamos observar a geografia, terra e mar, relevo e vegetação, o meio ambiente natural e modificado. Vamos observar as pessoas, as realizações, a sua organização e convivência (governo, tributos, empresas, comércio, patrimônios...). Veremos então, que a informação transcende, ela vai além dos limites de uma função, área, setor, secretaria, empresa ou esfera governamental, veremos que a informação interage com tudo e com todos! Só então poderemos vir a atinar para a urgente necessidade de se redesenhar os processos observando o todo, e aí sim escolher a tecnologia mais adequada ? a tecnologia é o meio, é a ferramenta, não é o fim. Atenção: não tem mais cabimento continuar a despender recursos na tentativa de transformar processos obsoletos em plataformas computacionais! Pela realização da 1ª Conferência Nacional da Informação. (*) É analista de Sistemas de Informação (andré@smf.maceio.al.gov.br).