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| Agatângelo Vasconcelos * Há quase um ano, no dia 7 de setembro de 2005, foi noticiado o resultado de uma pesquisa efetuada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, o famoso Ibope. O estudo afirma ser a classe médica a instituição brasileira com o maior índice de credibilidade com opinião pública nacional: com honrosos 81% de votos de confiabilidade, dez pontos porcentuais acima da Igreja Católica, a segunda colocada na citada pesquisa, e bem mais acima das posições alcançadas por outras instituições, tais como as Igrejas Evangélicas (53%), os Sindicatos Trabalhistas (51%), e o Poder Judiciário (45%), além de outras menos pontuadas. Dentre as categorias profissionais destacamo-nos também, pois os mais próximos dos esculápios são os engenheiros, seguidos pelos advogados, com 61% e 48% respectivamente. Claro, só para confirmar o que já se sabia, os partidos políticos, 10% e os políticos, 8% ocupam os últimos lugares naquele ?ranking? de confiabilidade dos nossos patrícios... Assoberbados por deveres muitas vezes excessivos, por jornadas de trabalho estressantes, humilhados por remunerações quase aviltantes, cercados por diversas outras profissões que persistentemente invadem (ou querem invadir) o campo das nossas atribuições, como ainda conseguimos obter tão consagradora votação, tão meritório destaque? Pelo que apurou o Ibope, o povo sabe diferenciar as falhas no atendimento que não decorrem propriamente da atuação do médico, percebendo a carência de recursos destinados pelo Estado à Assistência Pública. Os brasileiros entendem a enorme defasagem entre o seu poder aquisitivo e os custos da medicina moderna. Compreendem que podem contar com os médicos para lutar contra o sofrimento e a morte, embora os percalços do seu dia-a-dia. Por isso fazem um justo e afirmativo reconhecimento quanto ao labor dos discípulos de Hipócrates. Contudo, sempre se pode e se deve melhorar para se estar ao nível das exigências profissionais, particularmente quanto à Medicina. Não só quanto ao lado científico, porém mais além, alcançando as bases humanísticas do ser médico. A capacidade de sentir compaixão, mais do que a mera solidariedade, sentindo de verdade a dor do outro, é dom, é desejo, é entrega, indispensáveis ao trabalho médico desde os Templos de Asclépio. O saber escutar, olhar e tocar são atitudes terapêuticas, arte e ciência, esperadas pelos enfermos, sempre fragilizados, que nos buscam confiantes e esperançosos. (*) É médico e professor universitário.

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