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Opinião

Reflexos de uma situa��o

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| Marcos Davi Melo * Faltou sangue nos hemocentros do País durante a Copa do Mundo. Ainda está faltando. O doador de sangue, pequena fração de pessoas solidárias, sumiu e ainda não retornou. Inúmeras cirurgias foram suspensas em todo o território nacional. Espera-se, para o bem de todos, que eles voltem logo a sua cada vez mais rara ação solidária. Na seleção sobrou badalação, empáfia, arrogância, oba-oba, descompromisso e principalmente solidariedade, requisito fundamental dos esportes coletivos. Na sua maioria apartados do país geográfica e também sentimentalmente, os jogadores desprezaram o grande legado popular que possuíam: em um País sem heróis, eles eram a única esperança de elevação da auto-estima da população. Uma fantasia. Isso de quatro em quatro anos, como as eleições, mas diferentemente destas, em que não existem mais ilusões, principalmente depois de Lula e do PT. Uma realidade. Faltou sangue nos hemocentros, mas não faltaram sanguessugas no Ministério da Saúde nem na Câmara Federal e muito menos nos municípios, para dilapidar os parcos recursos da Saúde com ambulâncias superfaturadas; e ainda pior: muitas delas estão por aí sem nenhuma utilidade. Aqui mesmo em Alagoas, é só perguntar ao escritório do Ministério a quantidade desses veículos que estão atravancando pátios obscuros onde não podem ser vistas, mas enferrujam. A latere e por inanição, fecham-se hospitais filantrópicos que prestavam relevantes serviços à comunidade, como o de Batalha e estão para fechar outros de grande tradição, como a Santa Casa de Penedo. Sai a seleção dos mascarados e entra a máscara da propaganda eleitoral. Inicialmente restrita aos comícios e carros de som, em seguida na televisão e nos rádios, estarão as promessas que nunca se cumprem, os compromissos que serão descumpridos. Temas críticos como a Previdência Social, serão driblados por todos, mesmo porque, um dos maiores responsáveis pela situação de insolvência da Previdência ? os ralos públicos próprios ?, não será encarado com seriedade por ninguém. Sai a fantasia do futebol, volta a realidade do País que não tem heróis públicos, que não tem a solidariedade das elites para com a massa sofredora. Retorna a realidade dos muitos heróis anônimos, que tem como principal troféu, a coragem de lutar pela sobrevivência trabalhando de forma dura, digna e honesta. (*) É médico e professor da Uncisal.

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