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O Parque Gon�alves L�do

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| Milton Henio * Participei com alegria das festas de inauguração do novo Parque Gonçalves Lêdo, agora totalmente transformado, com viaduto, novas vias de trânsito, novas paisagens. Parabenizo o dinâmico prefeito Cícero Almeida pelo entusiasmo e o propósito de fazer o melhor por Maceió e sua gente. Acompanhado de sua simpática vice-prefeita Lourdinha Lyra, Cícero Almeida presenteia Maceió com grandes transformações no trânsito, visando ao bem-estar de sua população. O Parque Gonçalves Lêdo faz parte da minha vida. Ali nasci e vivi toda a minha infância e adolescência. E para não deixa-lo mantenho por lá até hoje o meu consultório. Só assim o vejo todos os dias. Não é à toa que um escritor francês dizia que o patriotismo é o que a gente lembra da infância. Minha pátria, assim, são os enormes eucaliptos espalhados pelo Parque e plantados pelo meu avô Luiz Carlos, o primeiro habitante dali, em 1889. Recordo com imensa saudade a convivência com a minha família, meus vizinhos, e uma enorme árvore que ficava no meio da rua dando abrigo e sombra aos pássaros e a criançada que brincava livre em seu redor. Recordo o bondinho que lentamente contornava o Parque e os passeios que dava com meu avô entre os eucaliptos. O tempo foi passando e as pessoas sucederam-se como quem rende uma guarda. Tenho pena de quem não tem avô. Lá íamos nós, o velho e o menino juntos, num dialogo extremamente afetuoso, ao longo do brilho dos trilhos sob o sol. O parque era o sonho de nossa vida; brincadeiras, jogos de pinhão e chimbra, festas de São João. Muitos dos meus companheiros daquele tempo ainda os tenho como queridos amigos. Quando a gente entrava no parque parecia estar escrito: ?aqui se ama?. Todos se queriam, parentes e vizinhos. Como é difícil classificar as pessoas, mas elas foram inesquecíveis em minha vida. Hoje minha distração é também sonhar. Para isso não é preciso que eu durma, basta olhar as fotografias daqueles bons tempos. É impossível relembrar tudo o que vivi. Tudo se emaranha, às épocas, as pessoas, a paisagem. O tempo foi passando e o progresso chegou. Agora a paisagem é outra. Pistas modernas, automóveis em velocidade buscam caminhos novos. O Parque está muito bonito, apenas os eucaliptos continuam de pé como sentinelas vivas, guardando um passado grandioso. Como dizia o saudoso poeta Jayme de Altavilla: ?Amo a vida, amo o sonho, amo a luz. Que aos meus sentidos impressiona. Trago no coração a suprema alegria, a suprema ternura. Que nunca me falte a alegria de amar todas as coisas belas deste mundo?. (*) É médico.

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