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Opinião

Vida mon�stica

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| Dom José Carlos Melo, CM* Celebrando neste mês o Pai da Vida Monástica, achei por bem fazer uma breve reflexão dos caminhos de São Bento que estabeleceu como princípio e norma de vida no ideal de santidade, o lema: ?Ora et labora?, ?Ora e trabalha?. Para nossa surpresa, hoje o número de vocações em todas as dioceses e comunidades religiosas tem aumentado a cada dia. Mas, para a vida contemplativa a procura está sendo maior, pois, o homem moderno tem sede do recolhimento para ajudá-lo a encontrar-se com Deus e a fugir da agitação do mundo, aproximando-o da contemplação do mistério de Cristo. Na verdade, o homem moderno, cansado pelo barulho ensurdecedor dos trios elétricos e das buzinas dos carros e máquinas, precisa desses momentos para um reencontro de si mesmo, para um refazer-se em todos os aspectos. O homem necessita também do silêncio para o encontro com Deus na oração. É sempre oportuno relembrar a prática de Jesus: ?Ele, porém, permanecia retirado em lugares desertos e orava?. (Lc 5.16) Ela continua sendo a referência segura e válida para os homens de todos os tempos. A vida monástica nos conduz à vivência das três tradicionais práticas que facilitam a renovação espiritual: a mortificação e o jejum, a esmola e a partilha, e, finalmente, a oração como encontro íntimo com Deus. A contemplação supõe uma permanente mortificação, pois o orante e o religioso consagrado renunciam praticamente a tudo o que o mundo lá fora oferece e, como verdadeira oblação ao Pai de toda criação, faz de sua própria vida uma oferenda total. Pois, o desapego e a renúncia nos tornam livres para amar e servir. O documento de Pueblla acentua o lugar e a importância da oração na vida e na ação pastoral do leigo. A oração é o ápice da consagração cristã, ela é essencialmente o instrumento divino de sustentação da ação missionária da Igreja. Quem trabalha, reza e quem reza trabalha. Existe um ciclo vital entre a oração e a ação. Ela nos conduz e aperfeiçoa nossa vida espiritual e apostólica, dando-nos força para alimentarmos uma fé sólida e comprometedora. Não pode haver amor afetivo sem amor efetivo. Reza-se com o coração e reza-se com as mãos. A oração contemplativa nos permite louvar, glorificar e agradecer ao Senhor que manifesta seu poder e seu amor na criação. Reconhecendo o valor e a importância da oração e da contemplação, tão indispensáveis à vida espiritual, o evangelista Marcos nos transmite o convite de Jesus: ?Vinde vós, sozinhos, a um lugar deserto e descansai um pouco? ( Mc 6,31). (*) É arcebispo metropolitano de Maceió

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