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Opinião

Progressos significativos

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| Humberto Martins * Quando alguns poucos e corajosos pais tentavam resistir, à época do nazismo, na Alemanha, ao recrutamento dos seus jovens filhos para as organizações totalitárias que agrupavam crianças e jovens, as autoridades respondiam: ?Não adianta vocês resistirem. Os corações e as mentes dos seus filhos já nos pertencem?. E os pais mais recalcitrantes eram mandados para os campos de concentração. A preocupação com os jovens e adolescentes, nas democracias dos nossos dias ? regime predominante, felizmente, na maioria das nações, inclusive no Brasil ? é diferente dos regimes totalitários do passado. Volta-se para o aumento e aperfeiçoamento da educação, da alimentação e da saúde, tentando compensar carências que atingem profundamente em torno de um quarto das nossas famílias. Apesar dos recursos limitados, alguns progressos significativos têm sido alcançados. E refletem uma situação assinalada ao longo das últimas três décadas, o que significa continuidade administrativa, apesar das divergências político-partidárias. Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? IBGE aponta para a diminuição do número de crianças desnutridas e o aumento do número de adolescentes fora do peso no País, nos últimos 30 anos. Conforme a pesquisa, nos anos de 1974 e 1975, 3,9% dos meninos e 7,5% das meninas na faixa etária entre 10 e 19 anos estavam acima do peso. Em 2002 e 2003, os porcentuais saltaram para 18% e 15,4% respectivamente. Não há uma correlação fixa entre o valor dos salários recebidos pelas famílias do universo pesquisado e os números constatados, mas existem alguns referenciais que devem ser considerados. São 8,5% dos meninos de famílias com até meio salário mínimo per capita que estão acima do peso, enquanto até 28,2% deles encontram-se em famílias com cinco ou mais salários mínimos per capita. Os porcentuais são 8,9% e 18,4% quando as pesquisadas são meninas. Outras avaliações revelam uma situação também positiva: Em 1973 e 1974, a desnutrição atingia uma em cada cinco (20,8%) das crianças de até cinco anos ? em área urbana ?, e uma em cada quatro (27,4%) ? área rural. Em 2002 e 2003, apenas uma em 20 estava nesse estado nutricional, caindo os porcentuais, respectivamente, para 5,3% e 5,8%. Criticar desacertos e omissões ajuda a corrigi-los. Mas divulgar os êxitos é também uma maneira de contribuir para alcançar os objetivos fundamentais da administração pública em setores vitais, como no caso da nutrição de crianças e adolescentes. (*) É ministro do STJ.

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