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Uma trag�dia maior - Editorial

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Dados da Síntese de Indicadores Sociais 2004, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado, já indicavam que, apesar da redução considerável da taxa de fecundidade nas últimas décadas, o País tinha 47,2 milhões de crianças na faixa etária de até 14 anos, ou seja, 27,2% da sua população de cerca de 180 milhões de pessoas. Os adolescentes de 15 a 17 anos somavam 10,4 milhões (6% da população), enquanto os jovens de 18 a 24 anos eram 23,4 milhões (13,4%). O mesmo levantamento também revelou que apenas 2,8% das famílias brasileiras têm rendimento per capita superior a cinco salários mínimos. Conseqüentemente, a maioria amarga os resultados da falta de condições econômicas e financeiras agravada, por sua vez, pelos problemas do desemprego, das dificuldades de acesso à educação, à uma vida sem as terríveis mazelas sociais. Nessa mesma época, foi publicado o resultado de uma pesquisa feita com adolescentes brasileiros e 86% deles já consideravam o Brasil um país violento. E como sabemos, a prostituição, a pornografia e o abuso sexual envolvendo menores estão entre as piores formas de violência praticadas crianças e jovens e, as principais vítimas são menores das camadas mais carentes. Retomamos aqui esse assunto, mais uma vez. Dessa vez para enaltecer o empenho de vários órgãos públicos e de entidades não-governamentais em mais uma mobilização voltada para o combate ao turismo sexual em Alagoas, que infelizmente permanece entre os estados onde essa questão ainda carece de maiores e permanentes atenções. Precisamos compreender que esse não pode ser um esforço restrito aos que trabalham com o turismo. Isso não é um assunto corporativo, nem tema técnico. A prostituição de menores é um gravíssimo problema de toda a sociedade.

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