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Opinião

Suavemente

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| Gilberto de Macedo * Trata-se da forma de comportamento leve e simpática, na convivência cotidiana, no âmbito familiar sobretudo, e do trabalho, e da sociedade em geral, nas diversas circunstâncias. É a gentileza constante. Diz, ainda, da maneira de se comportar sem revolta, sem ressentimento, sem estorvos. Nunca desvaloriza a vida, através da má vivência, do ódio e da aspereza. Mas, é preservar o sentimental, afastando-se das instigações maledicentes, que levam ao ensombrecimento da existência pessoal. Ainda é libertação do sentimento de vingança pela doação do perdão. E se proteger pelo despertar da boa consciência, apoiando-se, inclusive nos bons sentimentos da inocência. Suavemente, na comemoração do sucesso, e na penitência do fracasso. Pois não somos todo-poderosos, mas limitados, então sujeitos a ganhar e perder no decurso da existência. E, muito menos, somos perfeitos, como sabiamente disse aquele pensador: ?No melhor de nós há algo do pior; no pior de nós há algo do melhor.? Daí a importância de encarar os acontecimentos humanos suavemente, sem intolerância, nem amaldiçoamento, mas procurando tolerar as diferenças e as oposições, pois, como diz o filósofo Emerson: ?Sempre é tempo de ser cortez?. Isso porque, cada qual tem o seu perfil da estrutura da personalidade, e os diferentes hão de conviver na sociedade e na vida particular. É que essas diferenças levam a perceber a realidade de maneira singular, sobretudo na esfera pública, onde a heterogeneidade não tem limites, desde os anseios individuais, às preferências políticas, e vocações religiosas e profissionais, vinculações alubistas no lazer, e assim por diante. Por isso, a atitude de tolerância é sempre fundamental, ou seria estar permanentemente em conflito. Por isso Mary Wortley tem inteira razão ao dizer: ?A cortesia nada custa e tudo compra?. Se não há essa disposição individual, então, a intolerância se instala, e não se chega à solução das pendências. Desse modo, para não agravar as dificuldades, numa sociedade carente de boa organização. Suavemente, portanto. Para conviver bem. E viver melhor. E tanto mais quando se trata de solucionar conflitos interpessoais. Levar à esfera judiciária só quando for estritamente necessário, pela natureza do assunto, ou imposto pelas circunstâncias relacionadas. Mas, afinal, é a atitude compreensível de cortesia que melhor se estende e convence. (*) É médico.

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