Opinião
O crime no comando - Editorial
Novamente, os paulistas estão sendo castigados por uma onda de terror provocada pelo crime organizado. Novamente, as autoridades estão na defensiva, atordoadas e sem condições de responder à altura e muito menos proteger a população. Novamente, aqui repetimos a opinião de que essa não é uma tragédia restrita à São Paulo; esse é um drama brasileiro, que deve preocupar a todo o País. Mais uma vez explode a insuportável sensação de insegurança que se espalha por todo o Brasil. E o que as autoridades têm feito? Preocupam-se, em primeiro lugar, com os reflexos eleitorais e o governo paulista recusa a ajuda federal, repetindo a cantilena de que ?tudo está sob controle?. É verdade, como da vez passada, está tudo sob o controle do PCC. É sinistro o histórico dessa ?situação sob controle?. Segundo a mídia nacional, entre 12 e 19 de maio, explodiram rebeliões que atingiram 82 unidades do sistema penitenciário paulista e 299 ataques, incluindo incêndios a ônibus. A partir de 28 de junho, os atentados passaram a atingir também agentes penitenciários. Desde então, cinco agentes e um carcereiro foram mortos. Na quarta-feira, a Secretaria de Segurança paulista já tinha conhecimento de cerca de 70 novos atentados. E a catástrofe continua. E continua também a política ineficiente, inconseqüente, aplicada pelo governo paulista para enfrentar a situação. Os presos pobres são mais oprimidos nas cadeias infectas e superpovoadas (ampliando o caminho para a liderança das quadrilhas organizadas) e os poderosos líderes (enriquecidos pelo crime) não são isolados nem tem cortado seu poder de articulação. Nesse cenário, não há como os PCCs da vida perderem o controle da situação. E se prosseguir o erro da ?eleitoralização? do problema, aí é que estaremos no mato sem cachorro, pois a tendência é esse apavorante exemplo se espalhar para o resto do País.