loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Horror cotidiano - Editorial

Ouvir
Compartilhar

Na terrível situação que se abate sobre São Paulo, onde ? de dentro dos presídios ? os comandantes do crime organizado dirigem uma mortal ofensiva contra a sociedade, quando se avalia as responsabilidades das autoridades públicas, parece só existir culpados. Do lado do governo paulista, é ululante as responsabilidades das últimas gestões (daí o candidato ex-governador se apavora com as conseqüências disto para sua já avariada campanha pela presidência). Segundo a mídia, estaria evidente a conivência do governo paulista com o processo de fortalecimento de organizações como o PCC dentro das prisões (na ilusão de que a ?autoridade? dos líderes criminosos disciplinaria o explosivo mundo entre-grades). De fato, grupos como o PCC disciplinaram o interior dos presídios, mas o fizerem segundo seus próprios interesses estratégicos, e em pouco menos de 12 anos, tornaram-se soberanos dentro e fora das celas e hoje são capazes de, sob a guarda do Estado, mobilizar suas tropas (em liberdade) para ações de puro terror. Por outro lado, o governo federal, estupidamente, deixou de liberar verbas essenciais para a segurança pública. Por exemplo, no ano passado foi liberado (para São Paulo) apenas 12,67% do dinheiro disponível para o Fundo Penitenciário. No horizonte nacional, a vista é mais apavorante ainda, pois do dinheiro do Fundo Penitenciário neste ano, apenas 1,47% foi liberado para os estados; e do Fundo Nacional de Segurança Pública, nada foi investido (e em 2005, apenas metade do dinheiro contablizado neste fundo foi disponibilizado para os estados). Dessa forma, é natural que seja criado um espaço vazio entre as necessidades básicas do sistema e a autoridade pública. Nesse vácuo, crescem as organizações criminosas, dentro e fora dos presídios. E o caos vira (falsa) moeda eleitoral, complicando mais ainda a tragédia da insegurança pública.

Relacionadas