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Opinião

O marketing pode servir � cidadania

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| Joaldo Cavalcante * Ferramenta muito procurada em época de eleição, o marketing pode contribuir na organização de disputas. Infelizmente o profissional da área, alcunhado de ?marqueteiro?, é associado ao sujeito encarregado de maquiar a realidade, disseminar mentiras e vender ilusões à sociedade. Talvez até a disseminação desse tipo de conceito tenha se robustecido nos últimos tempos, pois está vivo na memória da coletividade o escândalo político denominado de mensalão, com mensaleiros detentores de mandatos eletivos desonrando a democracia. No meio de toda essa patifaria, surge como personagem importante um ?marqueteiro?, para desgosto daqueles que labutam no mundo publicitário. A verdade é que a nossa democracia nem sequer alcançou a puberdade, de tão nova que é. Embora estejam em funcionamento, as instituições democráticas refletem as deformações presentes no próprio organismo social, cujos integrantes ainda detêm um grau considerável de despolitização. Daí a necessidade de avançar nas reformas, inclusive aquela que sepulte a velha Lei de Imprensa, de 1967, que colide com os dispositivos constitucionais referentes à comunicação. Como política e comunicação estão presentes no jogo democrático, o confronto qualificado só vira uma regra em nossos pleitos eleitorais a partir do envolvimento do cidadão. Como espelho das ruas, os partidos políticos são frágeis, desprovidos de tradição programática e chegam em certos episódios a depor contra a própria regra democrática. É nesse quadro político carente de reforma que se insere o dito ?marqueteiro?. E, como qualquer outra ferramenta, o marketing pode estar ou não a serviço da sociedade? Depende do controle social, da ação cidadã e do compromisso partidário com o embate ético pela conquista do poder. Nessa linha de raciocínio o marketing pode ajudar a organizar a veiculação da mensagem e das propostas que devem ser examinadas pelo povo. Fazer política de forma eficiente é produzir idéias e apresentá-las à consideração coletiva, com confronto de pontos de vista e análise da trajetória de vida dos concorrentes a cargos públicos. (*) É jornalista e secretário de Comunicação do Estado.

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