Opinião
M�e do Carmelo
| Dom José Carlos Melo, CM * Hoje, dia 16 de julho, a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo, uma devoção antiga que provém da Palestina. Nos primeiros tempos do Cristianismo, alguns eremitas construíram um convento sob um monte chamado ?Carmelo?. Na época das Cruzadas, o calabrês Bertoldo, em cumprimento de um voto feito durante batalha, retirou-se para o Monte Carmelo com alguns companheiros, fundando a Ordem dos Carmelitas. Após a retirada dos Cruzados da Terra Santa, essa agremiação religiosa se transferiu para a Europa sob o nome de irmãos de Nossa Senhora do Monte Carmelo. A devoção a Nossa Senhora do Carmo caminha com os Carmelitas, porque o estudo mariano é aprofundado justamente no trabalho missionário desses homens de fé que procuram no espírito contemplativo e no trabalho de evangelização mostrar para nós como regra de vida a necessidade da contemplação de Maria no mistério da Anunciação. A Ordem do Carmo algumas vezes foi modificada através da história e possui três ramos: o primeiro para homens que se destinam ao sacerdócio e irmãos leigos congregados; o segundo, contemplativo, para mulheres, posteriormente reformado por Santa Tereza de Ávila, e o terceiro é a Ordem Terceira para leigos de ambos os sexos, sendo a sua principal finalidade a divulgação do Escapulário, bentinho que segundo a tradição foi dado pela Mãe de Deus a São Simão Stock, carmelita Inglês, e que beneficia com a proteção de Maria a quem o usa com confiança. Na sua tradição, sobretudo a partir do século 16, o Carmelo manifestou a proximidade de Maria ao povo de Deus mediante a devoção do Escapulário: sinal de consagração a Ela, como meio de agregação dos fiéis à Ordem Carmelitana e de meditação popular na evangelização. É necessário entendermos que a Ordem do Carmo, desde o século 12, tem realizado no mundo uma missão especial, incentivando-nos a olhar para Maria, animadora da primeira comunidade de Cristãos, como Mãe e discípula perfeita do Senhor. Ela ajuda-nos a viver no amor fraterno e no serviço mútuo. Nas bodas de Caná, leva-nos a acreditar no seu Filho; ao pé da cruz, torna-se a Mãe de todos os crentes, e, com eles, experimenta a glória da ressurreição. A arquidiocese de Maceió contou em sua história de Evangelização com a presença dos carmelitas em Marechal Deodoro, infelizmente expulsos na época de grandes perseguições à Igreja. Mas a devoção à Virgem do Carmelo hoje está plantada e bem edificada nas paróquias de Colônia Leopodina e no Salgadinho, aqui em Maceió. A elas apresentamos nossas felicitações pela celebração da festa de sua padroeira. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió