Opinião
O terror no Brasil
| Lysette Lyra * Sábado passado a televisão trouxe à tona uma triste página da história do Nordeste: as façanhas de um dos mais terríveis bandidos que por muitas décadas apavorou os habitantes e fazendeiros do agreste nordestino. Lampião e seu bando dominaram, com extrema crueldade, a região. Nascido em Serra Talhada, Pernambuco, em 1898, Virgulino Ferreira da Silva era o terceiro de muitos filhos de José Ferreira da Silva e Maria Lopes. Sua infância correu normalmente. Não sendo dado aos estudos, só cursou a escola por três meses. Sua mãe educava os filhos para serem homens valentes e não tolerarem jamais humilhações. Lampião teve uma vida difícil, seu pai foi morto quando ainda era adolescente, numa busca policial, pelo alagoano José Lucena Maranhão, quando o destacamento procurava Virgulino, Levino e Antônio, os três irmãos, a essa época já envolvidos em crimes. O fato aumentou o ódio do bandido, que assumiu definitivamente sua atitude de marginal, unindo-se mais tarde a outro terrível cangaceiro apelidado ?Corisco?. Suas façanhas eram mostradas na literatura de cordel, em que aparecia como herói, infalível e indomável. Mas o relato de suas atrocidades: invadindo povoados, matando policiais, chacinando famílias, incendiando fazendas, destruindo gado, perseguindo todos aqueles que não o acoitavam ou não atendiam suas exigências financeiras, horrorizavam a zona rural do Nordeste. Porém vários coronéis do sertão ofereciam ajuda e abrigo em suas terras, aos delinqüentes, em troca de segurança e na luta contra os inimigos. Lampião juntou-se à Maria Bonita, uma cabocla que, também, participava de suas empreitadas criminosas. A polícia vivia no difícil encalço do famigerado bando, que contava com a proteção dos ?coiteiros?. Afinal em 28 de julho de 1938, em Poço Redondo, Sergipe, na fazenda Angico, Lampião e dez comparsas, inclusive Maria Bonita, foram mortos pela polícia militar alagoana, comandada pelo tenente João Bezerra. Foram decapitados e suas cabeças trazidas como prova, ficaram expostas na Matriz de Santana do Ipanema. Depois em Maceió e Salvador. Hoje o crime organizado toma conta do Brasil. Invade as cidades; rouba e seqüestra; massacra inocentes; destrói ônibus; saqueia casas, lojas e bancos; não respeita autoridades nem a polícia; porta-se como famigerados bárbaros, munidos de armas devastadoras. São muito piores que Lampião. Até quando teremos que suportar o domínio dessa turba enlouquecida que parece querer destruir o País? Onde estão as autoridades, onde estão as forças que se tornaram incapazes de nos defender? A quem está entregue a nação que não se mostra interessado em protegê-la? Ou a bagunça faz parte de planos eleitoreiros? (*) É escritora.