Opinião
S�ndrome do p�nico
| Dom Fernando Iório * Então, um dia, sem explicação qualquer, surge um medo inexplicável. Trata-se de palpitações, suor frio, pavor de morrer, de enlouquecer de vez. Parece que tudo isso se infiltra na memória emocional, repetindo-se sem controle, em situações quase, de todo, semelhantes. Trata-se de um mal que aflige um número, cada vez maior de pessoas, em nossa sociedade, atingindo de 1,5% a 2% da população. Os serviços clínicos de emergência estão entre os mais freqüentes procurados pelos pacientes em pânico. Não há como negar, o que mais caracteriza a síndrome do pânico são as crises inesperadas e certo desespero sem causas lógicas aparentes. Na maioria das vezes, o transtorno do pânico não aparece sozinho. Acompanham-no as depressões, as ansiedades generalizadas, e, em casos mais agudos, os transtornos de personalidades. Pode haver um efeito dominó: se a pessoa com pânico já sofre demais, durante as crises, de certo, vai padecer, ainda mais, nos intervalos das crises, porque não tem idéia de quando ou como poderá, de novo, acontecer a crise. Desenvolve-se, então, aquilo que os psiquiatras chamam de ansiedade antecipada, fator de insegurança a comprometer a qualidade de vida do paciente. Começa ele a apavorar-se com a idéia de ter qualquer crise num beco sem saída, como elevadores, aviões, em roda gigante, na confusão do trânsito... Urge desfazer esse ciclo que deve ser quebrado. Necessita o paciente de desmistificar o pânico. A síndrome do pânico nada mais é do que uma reação exacerbada de resposta à intensa situação de estresse. A boa terapia deve ensinar ao paciente aprender a lidar com a crise, controlando a ansiedade, quer com uma terapia educacional que ensine uma convivência com o auxílio de uma presença amiga, acompanhante, quer sendo fiel a medicamentos que servirão de suporte. Vários psiquiatras afirmam que para prevenir em vez de remediar, o fundamental seria o equilíbrio: exercícios, dieta saudável e ?hobbies? para desestressar, evitando não fugir daquelas situações de pânico, até que sua ansiedade diminua, aprendendo a encarar e controlar a situação. A presença, nesses casos, de um acompanhante amigo acho de muita importância. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.