Opinião
N�meros e d�vidas - Editorial
As conclusões de um estudo de um instituto de pesquisa chamado Target, divulgadas na semana passada, indicam que mais de dois milhões de famílias no País tiveram ascensão social, deixando, portanto, de ser consideradas de classe baixa. Segundo essa pesquisa, a classe média cresceu, as famílias mais pobres passaram a ter menos despesas com itens básicos de alimentação e bebida, proporcionando investimentos em outras áreas. As pessoas que ganhavam entre R$ 1.140,00 e R$ 3.750,00 (ou seja, a classe média) somariam quase 28 milhões de lares, cravando um crescimento de 7,9%. Quanto ao número das famílias consideradas pobres (ganham entre R$ 300,00 e R$ 570,00) teria passado de 14,3 milhões também em 2005 para 13,9 milhões este ano. Em relação ao topo da pirâmide do consumo (Classe A, com salários entre R$ 11.700,00 e R$ 6.630,00) houve um ligeiro crescimento na quantidade de domicílios, passando de 0,7% em 2005 para 0,9% em 2006. Os programas assistencialistas Bolsa-Família e o Fome Zero teriam sido os principais responsáveis pela suposta redução da população extremamente pobre do País (que vive com menos de US$ 60 por mês). Sem dúvida, números alvissareiros. Infelizmente, a exposição da pobreza é tão grande em todo o Brasil que pesquisas como essas nem sempre convencem, apesar do prestígio e respeitabilidade dos pesquisadores e instituições envolvidas. Infelizmente, as ruas infestadas de menores e maiores pedintes, as favelas, a ululante tragédia cotidiana do desemprego faz com que tais números pareçam terem sido colhidos alhures, e nunca nas comunidades nas quais vivemos. Oxalá estejam esses números certos (as coisas estariam melhorando) e o senso comum (de contínuo esgarçamento do tecido social) esteja errado.