Opinião
Tecnologia da Informa��o: quebra de paradigmas
| André W. Carneiro * Podemos agrupar o desenvolvimento da tecnologia da informação em três linhas de ação: a primeira, o registro, é o desejo de perpetuar os fatos à posteridade. as pinturas rupestres, o surgimento da escrita, a digitalização da informação (CDs, Pen Drives...); a segunda, a transmissão, é a comunicação entre entes separados fisicamente. Dos tambores, passando pelo telégrafo e telefone, chegamos à realidade da rede mundial; e a terceira, o processamento da informação. Réguas de cálculo, máquinas de calcular fundamentadas em engrenagens mecânicas, aos processadores atuais (Pentium 4 - 2.4GHz, 533MHz, Cache L2 de 1MB... eita!). É importante perceber que as três linhas de ações desenvolveram-se isoladamente ao longo do tempo. Apenas recentemente elas começaram a interagir, ou seja, informações já registradas foram transmitidas e/ou receberam algum processamento (ficaria difícil ?transmitir? os desenhos pintados nas paredes internas das cavernas). Com o advento da codificação, dos dados e das lógicas (arquivos e programas de computador), iniciou-se o processamento das informações já registradas. Podemos dividir esse momento em três fases: A primeira foi a das rotinas específicas. A capacidade de armazenamento era pequena, seja para os dados a serem processados ou para o programa. Nessa fase, o processamento foi utilizado, principalmente, para cálculos matemáticos. Depois vieram os sistemas aplicativos (contabilidade, almoxarifado, contas a pagar...). Com o aumento da capacidade de processamento e armazenamento, rotinas afins foram agrupadas. A terceira fase, ainda em implantação, é a dos sistemas integrados. Os administradores perceberam a interdependência dos sistemas, dos setores (o valor recebido no ?caixa?, por exemplo, tem de ser registrado na ?contabilidade?) e apoiados pela evolução da comunicação, buscaram integrá-los. A questão é que tudo isso aconteceu muito rapidamente (pouco mais de meio século). Quando começamos a perceber que não podemos entender uma empresa setorialmente, algo mais começou a nos inquietar: a necessidade de informações externas a instituição, ou seja, a incapacidade de gerirmos, sozinhos, a informação. E é nesse ponto que nos encontramos, temos tecnologia suficiente para mantermos bases de dados qualificadas, mas descobrimos que a questão não é apenas tecnológica, é de quebra de paradigmas, precisamos evoluir da criação individual para a prática da criação coletiva. (*) É analista de Sistemas de Informação.