Opinião
Show � perder
| Luis Eduardo Vaz * Quem estiver surpreso, decepcionado, estarrecido com a derrota da seleção brasileira para a França, esteve, no mínimo, enganando-se por todo esse tempo. Quem se sentiu enganado, certamente engoliu a isca da auto-suficiência, da vitória fácil, do melhor time do mundo. Ao fim de cada uma das partidas, a crítica especializada, com inteira aprovação da imensa maioria dos torcedores foi unânime em ?passar a mão? na cabeça dos jogadores (após cada uma de suas pífias e medíocres performances), sustentando a máxima de que aqueles jogos não eram importantes e por isso o quarteto mágico não precisava jogar bem antes das semifinais. Essa opinião, insistentemente endossada pelo treinador, cuja soberba e arrogância só conseguiam ocultar sua incapacidade de liderança, findou por levá-lo a tomar como slogan nesta Copa a sentença: Show é ganhar e não dar espetáculo. Para começar, o quarteto não tem e nunca teve nada de mágico. Nem sequer é um quarteto. É um balaio de vaidades com menos chance de sucesso que um triângulo amoroso. Sim, porque por um quarteto entende-se quatro pessoas sintonizadas, interagindo solidárias em torno de um interesse comum, no afã de construir algo de útil. E o que se viu foi uma plêiade de estrelas do futebol mundial, totalmente desmotivadas, desinteressadas e incapazes de incorporar a grandeza de formar uma constelação, de atuar em conjunto, de obter resultados advindos da ação do grupo. Afinal, o torcedor brasileiro não precisa, nem merece ver espetáculo. Jogar com graça, com criatividade, o tão decantado ?futebol arte?, que celebrizou o jogador brasileiro no exterior é um mimo destinado apenas os torcedores do Milan, do Barcelona, do Real Madri e do Chelsea, já que esses clubes pagam milhões de euros anuais aos nossos craques pelas suas fabulosas performances. Ali, sim é importante atuar em equipe, pois sabem que sozinhos não são ninguém, como provaram na derrota da revanche para a França. Perdemos porque cada um daqueles franceses em campo comportava-se como um gladiador, centrado e concentrado exclusivamente na vitória. Promoviam jogadas de conjunto extraordinárias, comandadas pelo legendário Zidane, capitão da equipe. Foi ele quem contaminou de paixão as mentes e os corações daqueles 11 bravos jogadores. Foi a paixão de Zidane quem venceu o jogo, sua capacidade de unir, de agir em conjunto, de demonstrar sua coragem, de jogar o mais honesto e bonito futebol da Copa, aquele que é disputado de forma limpa, com inteligência, com a coragem, e a humildade que o espírito esportivo exige. (*) É fotógrafo publicitário em Maceió.