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Terror replicante - Editorial

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Talvez a Paz nem sempre produza mais Paz, mas é certo que terror só pode gerar mais terror. O dia 22 de julho de 1946 registra o primeiro grande ato de terrorismo contemporâneo no Oriente Médio. Desde então, bombas, foguetes, aviões, tanques, paus e pedras têm sido os argumentos recorrentes na infindável contenda sobre quem tem direito de viver naquela terra. Há seis décadas, o Hotel Rei Davi voou pelos ares num espetacular atentado perpetrado pela organização Irgun Zvai Leumi. A explosão matou 92 pessoas e feriu outras 45, um número espantoso para a época (em se tratando de atos terroristas). O alvo era o comando britânico para a região, e boa parte de seus integrantes foram fulminados com a ação. Dentre os mortos e feridos, foram somados 15 judeus. O Irgun defendia radicalmente a construção do Estado de Israel (os ingleses, nesta época, não eram simpáticos a esta idéia). Pouco depois, Israel era fundado e reconhecido pela ONU como Estado, com o apoio uníssono dos Estados Unidos e da União Soviética. Hoje, seis décadas depois, o terror segue poderoso na área, seja através dos homens-bombas e dos foguetes Kaitiushas dos palestinos, seja através dos canhões e caças-bombardeiros israelenses. Um história que continua sendo escrita com sangue e horror. E o que os poderosos desse mundo globalizado estão fazendo para dar um basta nesta situação? Nada. Nenhuma iniciativa importante tem sido anunciada. Seguindo o rastro de sangue ao longo da história, Hamas e Hizbollah (como o Irgun) sentem-se no direito de vitimar civis no lado do inimigo e não demonstram dor ou sofrimento pelas centenas de lares destruídos e milhares de mortes na população que dizem defender. Amanhã, quem sabe, os responsáveis pelo horror de hoje sejam até agraciados com o Nobel da Paz. E, infelizmente, o terror continuará a parir mais terror.

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