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Opinião

Autoritarismo e arrog�ncia

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| Marcos Davi Melo * Quando assumi a radioterapia da Santa Casa de Misericórdia de Maceió era o final de 1975 e a instituição era destinada quase que exclusivamente para o Inamps, e para os indigentes, sempre a grande maioria em Alagoas. Instituições dedicadas ao combate ao câncer de forma organizada naquele tempo, só existiam a Santa Casa, que iniciou pioneiramente esta luta em 1947 e que tinha uma eficiente Bomba de Cobalto e o Hospital do Açúcar , que tinha um aparelho de ortovoltagem para tratamentos superficiais. A medicina ainda era simples e relativamente barata. No início dos anos 80, o Açúcar inaugurou um moderno serviço de radioterapia com acelerador linear de 6 mev, braquiterapia com Cesium 137, físico em medicina e dois competentes médicos especialistas, os doutores Isaac Nascimento e Wilson Arraes. Pouco tempo depois a Santa Casa instalou um acelerador linear de 10 mev, ainda mais potente, além de braquiterapia com Cesium 137. A qualidade dos tratamentos melhorou bastante, mas os custos subiram muito com as novas tecnologias agregadas. Durante todos estes anos estes dois hospitais atenderam a toda comunidade alagoana sem restrições. Continuando, os custos em radioterapia estouraram e por mais de dez anos não existiu reajuste do SUS. A radioterapia do HAIA, efetiva, bem gerida e destinada basicamente ao SUS, como a da Santa Casa, não teve condições de se manter, mas os outros procedimentos, como quimioterapia e cirurgia de câncer não foram interrompidas, inclusive o maior contingente de crianças com leucemia de Alagoas é tratada no Açúcar. Paralelamente a Santa Casa instalou um dos serviços de radioterapia mais avançados do País. Um diferencial indispensável na humanização da luta contra o câncer em qualquer lugar e em especial em um Estado pobre como o nosso, o engajamento da sociedade através do voluntariado (a APALA e a Rede Feminina de Combate ao Câncer), efetivou-se tanto no HAIA como na Santa Casa, com grandes benefícios para toda a comunidade carente. A portaria 741 do Ministério da Saúde que descredencia o HAIA e o Sanatório e retira a referência da Santa Casa, arrogantemente desconhece e despreza a história de lutas e avanços da sociedade, muito bem representada nestas instituições. Arbitrariamente o governo despreza os serviços prestados e os números oficiais de atendimentos ao SUS dessas instituições em câncer e diz que está chegando, depois de 60 anos distanciado desta tarefa árdua e que sozinho pode resolver tudo. É a soberba de gabinete desprezando a sociedade e a sua história. (*) É médico e professor da Uncisal.

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