Opinião
Votos do Nordeste - Editorial
Os principais candidatos à presidência da República intensificaram a caça de votos no Nordeste, justamente na semana em que os participantes do 10º Encontro Regional de Economia, realizado em Fortaleza (CE), discutiram assuntos da maior importância para a região. Os postulantes ao Planalto deveriam conhecer, a fundo, as propostas do principal documento apresentado neste evento, o Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável, elaborado por técnicos do Ministério da Integração e da Adene (Agência de Desenvolvimento do Nordeste, o organismo sucessor da extinta Sudene). Certamente, este texto não inova em diagnóstico ? os problemas do Nordeste, em sua maioria, são crônicos e conhecidos há séculos; e, no finado século 20, foram sobejamente estudados. Como quase nada mudou, em termos estratégicos, nos últimos decênios, as mazelas prosseguem sendo mais ou menos as mesmas, com os números devidamente atualizados. E as novidades? Esperamos que estejam nas propostas, e isso é o mais importante, isso deveria ser o dever de casa de cada postulante à presidência da República: O que fazer para reduzir as disparidades regionais brasileiras? Esta é a pergunta que nem quer calar, nem lhe dão respostas. Uma das mais estudadas realidades regionais é a do Nordeste. Desde os tempos do Império, geniais idéias deram seqüência a projetos ? quase todos esquecidos ou arquivados. Este novo plano, pomposamente equipado com dois dos rótulos mais usados nos últimos tempos (estratégico e sustentável), merece tudo, menos ser esquecido. Que tenha pontos suprimidos ou adicionados, que seja corrigido ? mas que seja motivo de atenção e de compromissos por parte de todos que se propõem a presidir à República. Sempre menosprezado, o Nordeste continua a ser uma área definidora em termos eleitorais, mas não sabe valorizar esta posição.