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Direitos Humanos e a ideologia do terror

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| Petronio Bezerra * Eduardo Bomfim é um cara legal! Homem de esquerda, começou sua luta nos anos de chumbo como militante da Ação Popular, organização que já em 1968 conseguiu a proeza de reunir no mesmo altar ideológico a Bíblia, o Marxismo-Leninismo e o Fuzil. Como coerência nunca foi o forte da esquerda, aqueles dois últimos ingredientes não impediram os camaradas de avocarem a bandeira dos Direitos Humanos, monopolizando os debates sobre o tema na maioria dos países. As exceções são aquelas nações em que os comunistas tomaram o poder, onde falar de Direitos Humanos é proibido. Talvez porque na China, Cuba ou antiga URSS, paraísos terrenos da Esquerda, as liberdades individuais e o direito à vida tenham matizes tão peculiares que se tornaram assunto démodé. Assim, seus líderes se aplicaram à tarefa de demonstrar que o inferno eram os outros. Hoje a batalha para onde se voltam corações e mentes dos pensadores de esquerda é travada no Oriente Médio. Eduardo Bomfim, como representante do bem, em artigo na Gazeta (sexta, 22/07), já apontou o lado do mal: EUA e Israel. E não o fez sem antes assinalar o modus operandi dos malvados adversários da paz: terrorismo de Estado. Em seguida o modus raciocinandi de Bomfim se permite uma pirueta dialética e vê no holocausto judeu, sob Hitler, a inspiração para a política israelense de combate aos terroristas incrustados no Líbano e na Palestina, insinuando um paralelo entre o povo judeu na 2ª Guerra e os libaneses e palestinos da atualidade. Eduardo Bomfim é um cara legal, mas sobretudo esperto quando distribui o pão que alimenta sua fé. Faz seu proselitismo certo de que o leitor pouco afeito a problemas de um outro mundo passará batido, e tomará para si a opinião politicamente correta que reproduz. Bomfim não precisaria recorrer ao Houaiss para definir terrorismo de Estado. Seu partido, o PCdoB, é herdeiro intelectual das ?melhores? tradições bolcheviques e maoístas. Ao culpar Israel por se defender dos facínoras do Hizbollah e do Hamas, Bomfim justifica a ação de terroristas, convertendo-os em mártires, e se esquece de que cabe aos governos libanês e palestino controlarem suas fronteiras, base para fazerem vítimas do lado judeu. Negando-se a reconhecer a verdadeira natureza do conflito, que não se dá entre países, mas entre um Estado soberano, Israel, e grupos cujo objetivo declarado é varrer-lhe do mapa, Bomfim não informa que as perdas civis no Líbano são estratégia deliberada dos terroristas, que usam as populações locais como escudos humanos, ao mesmo tempo em que alardeiam quando os ataques preventivos de Israel, infelizmente, as atingem. Ressalte-se, por fim, o fato de ser Israel a única democracia da região ? embora não seja aquela dos sonhos de Bomfim. Seus vizinhos, sem exceção, são ditaduras ou teocracias que financiam e flertam, cada um à sua maneira, com o Terror. (*) É administrador de empresas.

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