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Terror ascendente - Editorial

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Em agosto de 2003, o escritório da ONU em Bagdá voou pelos ares, explodido numa ação atribuída a Al-Qaeda, através do grupo iraquiano então chefiado por Al-Zarqawi (por sua vez morto recentemente). Nesse atentado foi assassinando (entre muitas outras pessoas) o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Há dois dias, um posto de observação da ONU no Líbano foi explodido pelo exército de Israel, matando quatro soldados da tropa internacional de paz. A ONU informou ontem que havia pedido aos israelenses, por dez vezes, que o posto de serviço fosse poupado. Ambos os atos são atentados terroristas. Ambos buscam desmoralizar a Organização das Nações Unidas e reafirmar a disposição férrea dos provocadores dos dois atentados em manterem-se atuantes na prática do terror como método para dobrar os adversários. Desacatada, pelo desrespeito as suas resoluções, tanto pelos grupos radicais palestinos quanto pelo estado de Israel, a ONU está sendo transformado em alvo de morte. E, neste caminhar explosivo, as chances de paz vão sendo sepultadas. É verdade que nem sempre a Organização das Nações Unidas tem se portado da forma mais adequada, pois na maioria das vezes tem exagerado no cuidado para não magoar os sentimentos das grandes potências militares, como Estados Unidos, Rússia, Inglaterra e Israel. Mas, mesmo tímida frente aos poderosos, a velha ONU ainda é o único fórum com alguma representatividade para a discussão dos problemas mundiais. É lamentável que os bem armados não acatem a ONU, mas atacá-la desta forma é intolerável, é covardia pura. Atos como esses, sejam praticados pela Al-Qaeda ou pelo exército de Israel, merecem a veemente condenação de todo o mundo, sob pena do terrorismo puro e simples ser reabilitado como instrumento válido nas disputas globais.

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